ALMA LUSITANA: OS AUTORES DE ABRIL

Fotografia da minha autoria



Uma viagem literária para descobrirmos os nossos autores


Abril de leituras mil. O ditado não é bem assim, no entanto, é o que desejo que aconteça no mês do meu aniversário. Desta vez, o Alma Lusitana será escudado por dois nomes conhecidos, visto que já tive a oportunidade de ler duas obras de ambos, e por uma nova autora, que lançou o seu primeiro livro. Estou ansiosa por me reencontrar com dialetos que aprecio, ao mesmo tempo que me cruzarei com uma novidade.


SUSANA AMARO VELHO

A leitura e a escrita, reconhece, são duas das suas maiores paixões. Licenciada em Jornalismo e Solicitadoria, deu asas ao seu sonho e arriscou «escrever para ser lida». Até ao momento, conta com três obras publicadas, porém acredito que o seu «caderno na mesa de cabeceira» reserve muitos mundos por explorar.

      

As Últimas Linhas Destas Mãos: «Depois da morte de Alice, a sua filha Teresa recebe uma herança que a deixa intrigada: um monte de cartas, algumas com tantos anos quanto ela, que contam uma história de amor que não sabe se é ou não real. Não conhece os lugares. Não reconhece as personagens. Não sabe, sequer, quem é a própria mãe e onde se encaixa naquele enredo. Este amor em linhas vivido por Alice, de tão intenso, tão mordaz, tão vivo e tão presente vai abrindo espaços, alimentando dúvidas, resgatando culpas antigas e memórias apagadas. Mas será ele suficiente para que Teresa possa, finalmente, perceber e perdoar a mãe? Poderão as últimas linhas de Alice ser mais fortes e enlaçar o que ela em vida não conseguiu prender?».

O Bairro das Cruzes: «Conta a história da Luísa. E da Rosa. Conta a história das cruzes que carregamos desde a infância e que condicionam escolhas futuras. Caminhos que se seguem e outros que se evitam. O Bairro das Cruzes atravessa o tempo. O espaço. Mistura comunistas e PIDE e sobrevive às cheias de Lisboa. Carrega um fardo pesado e agarra à terra quem lá nasceu. Quem de lá quis sair, mas regressou. Porque o sangue pode pesar tanto quanto a pedra. E pode ser mais pesado que uma cruz».

Inquieta: «Julieta parece ter a vida perfeita. Aos trinta e sete anos tem um marido adorável que cozinha os melhores bolos. O emprego com que sempre sonhou e que a preenche. Uma casa cheia de luz e livros, onde a mesa está enfeitada com camélias. Então, por que motivo está agora sobre o varadim escorregadio de uma ponte, descalça e suja de sangue, prestes a saltar?»

Li e recomendo: O Bairro das Cruzes e Inquieta


GONÇALO M. TAVARES

O ano de 2001 marca o início de uma jornada literária dividida por diferentes géneros - estando traduzidos em mais de 50 países. Os seus livros «receberam vários prémios em Portugal e no estrangeiro» e também foram palco para peças de teatro, dança, curtas-metragens, teses académicas, entre outras manifestações artísticas. Uma vez que a lista é extensa, optei por selecionar alguns exemplos (podem consultar mais aqui).

      

Um Homem: Klaus Klump: «
Há exercícios para treinar a verdade como, por exemplo, ter medo. Ou então ter fome, Depois restam exercícios para treinar a mentira: todos os grupos são isto, e todos os negócios. Estar apaixonado é outra forma de exercitar a verdade. Klaus comandava pela primeira vez os negócios da família. Não tinha medo, nem fome, nem estava apaixonado. Cada dia era, pois, um exercício novo da mentira. Já tinha feito a vida real (tinha-a feito como se faz uma construção, algo material), agora começara o jogo: ganhar mais dinheiro ou menos. Nada de essencial; mas a mentira interessante é aquela que quase parece verdade».

A Máquina de Joseph Walser: «Não tinha sequer uma pistola, mas eliminara a grande fraqueza da existência, fizera desaparecer a primária fragilidade da espécie: não possuía qualquer inclinação para o amor ou para a amizade! E nesse momento, a caminhar em plena rua, desarmado, observando de cima os seus sapatos castanhos, velhos, sapatos irresponsáveis como troçava Klober, nesse momento Walser sentia-se seguro - e ao mesmo tempo ameaçador - como se avançasse dentro de um tanque pela rua».

Jerusalém: «Uma mulher, um assassino, um médico, um menino, uma prostituta e um louco. E uma noite».


      

Aprender a Rezar na Era da Técnica: «Conta a história de um cirurgião, Lenz Buchmann, que abandona a medicina para se dedicar à política. Tem a ilusão de poder salvar muitas pessoas ao mesmo tempo, em vez de salvar uma pessoa, de cada vez, no seu acto médico. A sua subida impiedosa no Partido do poder só é interrompida por um acontecimento surpreendente e definitivo. A mão forte que segurava no bisturi e nos comandos da cidade começa, afinal, a tremer».

O Osso do Meio: «Talvez um tom, os livros com tons (cores, agressividades, velocidades) e não géneros literários. Um tom, este: como flui o mal, a excitação, a passividade, a violência, pelos muitos solos da terra? Passado num período de pós-guerra, num movimento de ressaca colectiva. É um livro onde o meio aí está, logo no início, e aí fica até ao final. Três homens e uma mulher apanhados num ponto das suas violentas vidas (quase) felizes. A felicidade tem muitas variantes e algumas nada benignas. Kahnnak, Albert Mulder, Maria Llurbai, Vassliss Rânia, três homens e uma mulher. Um livro duro e triste».

O Torcicologologista, Excelência: «- Gosto muito de bater na cabeça das pessoas com uma certa força.- Gosta?
- Sim, agrada-me. Dá-me prazer. Uma pessoa vai a passar e eu chamo-a: ó, desculpe, Vossa Excelência?!
- E ela - a Excelência - vai?
- Sim. Quem não gosta de ser chamado à distância por Vossa Excelência? Apanho sempre, primeiro, as pessoas pela vaidade… é a melhor forma.
- E quando a pessoa-Excelência chega ao pé de Vossa Excelência, o que acontece?
- Ela aproxima-se e pergunta-me: o que pretende? E eu, com toda a educação e não querendo esconder nada, digo: gostava de bater com certa força na cabeça de Vossa Excelência. É isto que eu digo, apenas. Nem mais uma palavra».


      

A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado: «É o primeiro livro do universo das Mitologias, universo de ficção em que Gonçalo M. Tavares recoloca o humano e a história numa dimensão mitológica, que distorce para mostrar melhor e que, recorrendo ao universo narrativo da oralidade e do fantástico, explora brilhantemente aquilo que é a natureza humana».

Cinco Meninos, Cinco Ratos: «No meio da floresta, cinco meninos perdidos. Ou quatro. Porque a mais pequena das irmãs se perdeu dos que já estavam perdidos. Os meninos encontram um homem de mau olhado, mas ele é bom. Também se cruzam com a Velocidade, que é um elemento perigoso que faz dos homens, loucos . Há um Comboio que não gosta de humanos e um homem que não consegue deixar de ter a boca aberta diante do mundo. Há uma igreja minúscula onde cabe um corpo com dificuldade, mas esse corpo tem espaço para rezar. E há quem saia curado de espaços muito pequenos».

O Diabo: «É um espaço imaginário onde, entre muitos outros, se entrecruzam o diabo, a escola, os corvos e o trator, as palas com todas as suas limitações e virtualidades, o cemitério de aviões e a loucura, os direitos dos homens, o Grande-Armazém, o Povo-Armazenado, os três fios vermelhos, os Doze-Apóstolos, a canalização, os piolhos, o crânio de Olga, os nomes, Paris, os Nómadas, o Comboio e os Meninos, o Homem-que-Quando-Fala-Não-se-Entende-Nada, o crescimento de Alexandre (a linha recta). É um mundo de histórias e possibilidades quase infinitas em que um espaço ou uma máquina se podem transformar em personagem, mas é também um universo onde encontramos valores fundamentais, território privilegiado do mito, como o bem e o mal, o medo e a coragem, a tranquilidade e a violência, o desconhecido e o familiar».

Li e recomendo: Uma Viagem à Índia e Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai


ANA RITA AREIAS

É formada em Marketing e Comunicação Empresarial, «amante do significado das palavras», «sonhadora nata» e «dona da poesia que escorre para uma infinidade de papéis perdidos num ápice de momento». Publicou, recentemente, o seu primeiro livro e, por isso, quero incluí-la como autora extra do Alma Lusitana.


Ad Astra Per Aspera - Por Ásperos Caminhos até aos Astros: «
Entre o mar e o céu existe a poesia de uma mulher. Palavras que se refugiam num coração que teima em não se apagar. Umas que escolhem mergulhar em altos mares e outras que deslumbram a noite ao pé das estrelas. Mas, todas são vozes de uma cabeça na lua. É poeticamente triste o frio e quando a chuva vem de noite, os sonhos por momentos têm o hábito de tremeluzir. Porém, há demasiadas histórias que o mar tem por contar, que os poetas insistem em gritar em papéis que poucos lêem e as paredes da cidade são as que registam as sombras de um dia que escure­ceu cedo demais. Na infinitude da perda encontram-se conver­sas que ficaram a meio e quando há poemas que te fazem es­quecer a vida, o melhor é os guardar no íntimo de quem sente».

16 comments

  1. Já ouvi falar muito bem de ambos os autores, mas ainda não me aventurei a descobrir as suas obras.

    Vou levar as sugestões.

    Beijinho grande, minha querida!

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    1. Ainda li pouco de ambos, sobretudo de Gonçalo M. Tavares, mas aconselho :)

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  2. Gostei de conhecer estas sugestoes destes dois autores *.* Que Abril seja repleto de boas leituras por ser um mês tao especial para ti :)

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  3. Acredito que sejam livros fascinantes de ler
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    Saudações poéticas.
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    Pensamentos e Devaneios Poéticos
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  4. Respostas
    1. Aconselho, Francisco! A escrita é maravilhosa e tem narrativas brilhantes

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  5. Que ainda não conhecia de todo, mas me parece ser mais uma boa sugestão, onde vou dar a quem adora bastante ler cá em casa
    Beijinhos
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  6. Estou especialmente curiosa em relação ao último livro!

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