ALMA LUSITANA:
LIVROS DE/SOBRE FAMÍLIAS

Fotografia da minha autoria



«Quando as raízes são profundas, não há razões para temer o vento»


O pilar que sustenta cada passo que eu dou tem vários nomes agregados à sua essência, mas a melhor designação para os definir a todos é família. Por esse motivo, são a minha fortaleza, o meu norte e a casa onde regresso sempre. E mesmo quando receio o vento, sei que as raízes que nos entrelaçam são fortes o suficiente para não cair - e, caso aconteça, são fortes o suficiente para me permitirem brotar e reerguer.

Quando abraço uma nova história literária, aprecio que explore este traço familiar, este vinculo umbilical que ultrapassa os laços de sangue, nas mais diversas perspetivas. Porque acho interessante a pluralidade de vivências e emoções. E a verdade é que compreendemos muito daquilo que é o mundo através das suas dinâmicas: entre portas, escondem-se muitos recantos, mas também existem espelhos a refletir paradigmas.

Portanto, para esta viagem ficcional até Bragança, o Alma Lusitana apanha boleia de livros de/sobre famílias.


 O QUE VOU LER 


O Funeral da Nossa Mãe, Célia Correia Loureiro: «Quando, aos 58 anos, Carolina Alves decide pôr termo à vida, deixa um pedido concreto às suas três filhas: que se reúnam na festa em honra da padroeira da vila e que recuperem os laços de sangue que as consagram irmãs».


 OUTRAS SUGESTÕES 

      

Princípio de Karenina, Afonso Cruz: «Um pai que se dirige à filha e lhe conta a sua história, que é a história de ambos, revelando distâncias e aproximando-se por causa disso, numa entrega sincera e emocional. Uma viagem até aos confins do mundo, até ao Vietname e Camboja, até ao território que antigamente se designava como Cochinchina, para encontrar e perceber aquilo que está mais perto de nós, aquilo que nos habita».

O Lugar das Árvores Tristes, Lénia Rufino: «Isabel não tinha medo dos mortos. Gostava de passear por entre as campas do cemitério, a recuperar as histórias da morte daquelas pessoas. Quando a falta de alguma informação lhe acicatava a curiosidade, perguntava à mãe».

Brincadeiras de Irmãs, Maria José da Silveira Núncio: «Partindo da morte de um antigo primeiro-ministro, figura prestigiada e reconhecida na sociedade, desvendam-se os segredos familiares que, em noites longas e corredores escuros, engendraram a complexa relação entre duas irmãs, presas numa teia de silêncios e entreditos, em que se confundem amor e raiva, medo e culpa, vingança e perdão».


      

O Meu Irmão, Afonso Reis Cabral: «Com a morte dos pais, é preciso decidir com quem fica Miguel, o filho de 40 anos que nasceu com síndrome de Down. É então que o irmão - um professor universitário divorciado e misantropo - surpreende (e até certo ponto alivia) a família, chamando a si a grande responsabilidade. Tem apenas mais um ano do que Miguel, e a recordação do afecto e da cumplicidade que ambos partilharam na infância leva-o a acreditar que a nova situação acabará por resgatá-lo da aridez em que se transformou a sua vida e redimi-lo da culpa por tantos anos de afastamento. Porém, a chegada de Miguel traz problemas inesperados - e o maior de todos chama-se Luciana».

O Bairro das Cruzes, Susana Amaro Velho: «Conta a história da Luísa. E da Rosa. Conta a história das cruzes que carregamos desde a infância e que condicionam escolhas futuras. Caminhos que se seguem e outros que se evitam (...) atravessa o tempo. O espaço. Mistura comunistas e PIDE e sobrevive às cheias de Lisboa. Carrega um fardo pesado e agarra à terra quem lá nasceu. Quem de lá quis sair, mas regressou. Porque o sangue pode pesar tanto quanto a pedra. E pode ser mais pesado que uma cruz».

Margarida Espantada, Rodrigo Guedes de Carvalho: «Margarida Espantada é sobre família. Sobre irmãos. É sobre violência doméstica e doença mental. É um efeito dominó sobre a dor».


      

Os Maias, Eça de Queiroz: «Lisboa, finais do séc. XIX. Afonso da Maia fixa-se em Lisboa com o seu neto, Carlos. Descendente e herdeiro de uma família da nobreza beirã, Carlos, jovem belo e dotado, vive num mundo de luxo e fausto. Até que conhece Maria Eduarda, igualmente jovem, igualmente dotada. E o amor surge. Um amor impossível, que tudo fará para saltar barreiras, como se se esquecendo que nem o verdadeiro amor poderá transpor todos os obstáculos».

Três Mulheres no Beiral, Susana Piedade: «Neste cenário tenso e desumano desenrola-se a história de Três Mulheres no Beiral, que é também a de uma família reunida por força das circunstâncias, mas dividida por sentimentos e interesses: Piedade, que trata a casa como gente; José Maria, o filho incapaz de se impor e tomar decisões; Madalena, a neta que regressa com a filha ao lugar onde foi criada para reviver episódios marcantes do seu passado; e Eduardo, o neto egocêntrico e conflituoso que sonha ser rico desde criança e a quem a venda da casa só pode agradar».

Onde Cantam os Grilos, Maria Isaac: «Ainda bebé, Formiga foi deixado num cesto nos degraus da casa da Herdade do Lago. O mistério da sua chegada é apenas mais um na longa história da herdade e das várias gerações dos Vaz, que a assombra de lendas e maldições: uma fonte inesgotável de mistérios fascinantes para a imaginação do rapazinho cabeça de vento».


      

Ensina-me a Voar Sobre os Telhados, João Tordo: «Algures entre o sonho e a mais pura realidade, Ensina-me a voar sobre os telhados é um lugar onde um pai e um filho aprendem a amar-se,é um espaço onde se procura aceitar dores antigas e abraçar a fragilidade humana».

Família de Retalhos, Rita Tavares: «O Hugo conta-nos, através do seu mundo de fantasia, a história da sua família de retalhos. Ele fala-nos da separação dos pais, de quando conheceu o padrasto e a madrasta, do nascimento do meio irmão e de todos os sentimentos e medos que o atormentaram durante esta aventura».

Uma Família Inglesa, Júlio Dinis: «Os dias de Carlos Whitestone, jovem herdeiro de um lucrativo negócio de exportações, são passados em pleno devaneio boémio nas ruas, nos cafés e na noite da cidade do Porto. Por alturas do Carnaval, num baile de máscaras, Carlos apaixona-se por uma rapariga belíssima, cuja identidade desconhece, mas que irá descobrir tratar-se de Cecília, filha do modesto e obediente guarda-livro...».


   

Gente Feita de Terra, Carla M. Soares: «Conta a história de duas mulheres, mãe e filha, dos anos 60 até ao início do século XXI. A mãe parte jovem de um Alentejo sem futuro, perseguindo um amor na Angola colonial portuguesa, que de princípio a recebe como se lhe pertencesse, para depois a expulsar, como a todos, em desespero (...) A filha é uma jovem viúva que habita a Lisboa suburbana do nosso século, rápida e desenraizada, e que na história da mãe tenta perceber a que lugar pertence».

Famílias em Construção, Margarida Fonseca Santos: «A Clara encontra-se numa encruzilhada: a sua vida será, a partir daquele momento, repartida entre a casa da mãe e a casa do pai, com a sua nova mulher e o filho dela, Miguel, que não pretende tornar a vida de Clara fácil. Também para ele não é uma mudança desejada. O Bernardo vê a sua família em turbilhão e o Pedro vai ter de se adaptar a um novo país, porque a sua família vai emigrar. Aos poucos, todos eles vão descobrir que as suas vidas estão constantemente em construção».


 CONSIDERAÇÕES 

📖 Podem ler qualquer género e em qualquer formato;
📖 O tema pode ser interpretado de várias maneiras: ser um livro escrito por familiares, ter a palavra família no título, ser sobre as famílias que escolhemos, estar na vossa família há vários anos; ou, então, ter outra interpretação que vos pareça mais relevante;
📖 A lista anterior é um mero guia de apoio, caso estejam sem ideias para as vossas leituras, mas podem ler outra obra do vosso agrado, desde que, naturalmente, respeite o tema central e seja de um autor português;
📖 Não há prazos, obrigações, nem meses fixos. E podem ler mais do que um livro;
📖 Utilizem a hashtag #almalusitana_asgavetas para que consiga acompanhar o que estão a ler.


O Alma Lusitana tem grupo no Goodreads. Se quiserem aderir, encontro-vos aqui.

12 comments

  1. Excelentes sugestões, minha querida, para começar a semana.

    Acho que vou reler o livro do Afonso Reis Cabral.

    Beijinho grande!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estou muito entusiasmada com esta tema :)
      Boas leituras, minha querida

      Eliminar
  2. Acredito que sejam todos bons livros de ler.
    Cumprimentos poéticos

    ResponderEliminar
  3. Excelentes sugestoes. Fiquei muito curiosa em relacao à tua escolha. Boas leituras :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também estou muito curiosa, a premissa é intrigante. Obrigada, minha querida :)

      Eliminar
  4. Que acaba por ser mais uma boa sugestão para lever, ainda não conhecia os que falou
    Uma boa semana
    Beijinhos
    Novo post
    Tem Post Novos Diariamente

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se tiveres curiosidade, podes embarcar nesta aventura e descobrir algum :)
      Obrigada e igualmente, Sofia

      Eliminar
  5. Apesar de reconhecer alguns destes livros pela capa / título, o único que realmente li foi Os Maias e confesso que gostei muito!

    Segue-me:
    Blog | Instagram

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É uma história fantástica! Confesso que, quando o estudei no secundário, só li capítulos específicos, porque não tinha maturidade [nem ritmo de leitura] suficiente para uma obra desta natureza, e a obrigatoriedade de o analisar em aula não ajudou. No entanto, o ano passado voltei a pegar nele e adorei

      Eliminar