CAIXA MÁGICA || FRIENDS THE REUNION

Fotografia da minha autoria



«O reencontro, 17 anos depois»

- pode conter spoilers -


A inocência - da idade e, inclusive, do contexto - pode representar uma barreira no que concerne à compreensão de certas questões. Porque ainda não temos maturidade suficiente para decifrar as suas entrelinhas. No entanto, é também essa inocência que nos fascina, que nos leva a aventurar no desconhecido e que nos impulsiona a desfrutar de alguns conteúdos pelo seu traço de puro entretenimento. Por esse motivo, e de um maneira tão natural, passei a ter encontro marcado com uma das séries da minha vida: Friends.


FRIENDS, ESTE PEDAÇO CASA

A premissa aparenta ser simples, mas é a dinâmica do grupo que torna cada acontecimento mágico, risível e, sobretudo, autêntico. Não imagino o Chandler, a Phoebe, a Rachel, o Joey, a Mónica e o Ross a serem interpretados por outros atores, porém, tudo o que viveram poderia ser a história de qualquer um de nós. E esse foi sempre, para mim, o segredo do sucesso da série: o traço relacional, mesmo quando as peripécias extravasavam para algo um pouco surreal e fora de um plano transversal aos comuns mortais. Independentemente disso, neste ponto, persistia o tom cómico, que nos permitia desligar do mundo exterior.

Em simultâneo, senti[a] que os criadores desta sitcom estavam a inovar na abordagem da mesma, porque não há um protagonista. Existe, antes, um protagonismo repartido por seis personagens com características singulares. E é nesta heterogeneidade que encontramos um grupo de amigos que nos apaixona: por serem diferentes e, ainda assim, combinarem tão bem. A amizade é, portanto, o dialeto central, levando-nos a embarcar numa viagem de autodescoberta, de aceitação e de superação. Visto que, embora seja um produto de ficção, espelha os obstáculos, os medos e os alicerces que marcam as relações intra e interpessoais.

Por fim, mas não menos importante, agrada-me que Friends não tentasse vender a ideia de uma vida perfeita. Muito pelo contrário, colocou-nos sempre perto dos receios, das angústias, das quedas e das frustrações dos seus intervenientes - até quando estavam no Central Perk, a uma quarta-feira, às 11h30. E mesmo que a despedida tenha sido dolorosa, reconheço que terminou no momento certo e com um final que dignifica tanto o processo de crescimento individual e social das personagens, como a própria mensagem do argumento.


FRIENDS THE REUNION

Havendo essa possibilidade, regresso aos episódios que já conheço de cor, privilegiando horas de maratonas. Porque esta série acompanhou parte do meu desenvolvimento, transformando-se naquele abraço apertado que conforta e que me faz sentir em casa. Além disso, sinto-a como se fosse uma extensão da família que me ampara. Tendo em conta que sou tão apegada à minha, faço por nunca largar a mão do que me completa.

Quando soube deste episódio especial, rejubilei de felicidade, pois voltaria a cruzar-me com pessoas que, direta ou indiretamente, foram uma fonte de aprendizagem, de catarse e de lucidez. Contudo, demorei a ver a reunião porque há muitas emoções acumuladas. Porque há uma imagem que pretendo preservar. E porque abriria a porta à nostalgia. Por outro lado, implicaria uma nova despedida - para a qual não estaria preparada. Mas como as saudades bateram mais forte, só poderia embarcar nesta aventura. Se compensou? Totalmente!


O MELHOR E O MENOS BOM

Sou de lágrima fácil, sobretudo, se estiver a assistir a algo que teve tanto impacto na minha jornada. E ter a oportunidade de ver este reencontro despertou uma série de sensações. Porque foi voltar onde tudo começou.

Desde o processo de seleção do elenco, até ao recordar de cenas emblemáticas, transitando pelo próprio sentido da sitcom, houve momentos que me emocionaram e outros que, acredito, poderiam ser dispensados, para prolongar o que, de facto, é mais importante: o grupo, as dinâmicas, as memórias e este amor transversal.


 O MENOS BOM 

A distribuição/gestão dos segmentos: Este especial dividiu-se em algumas componentes interessantes, que trouxeram maior dinamismo ao acontecimento. No entanto, sinto que se perdeu a oportunidade de dar mais destaque aos atores convidados, que são parte da essência da série e que teriam tanto para partilhar. Além disso, gostava de ter visto uma maior interação na altura em que estavam à conversa com James Corden, pois seria uma maneira de aprofundar determinadas temáticas e conhecer melhor os bastidores. Afinal, foram dez anos de convívio e muitas situações a despoletar pelo meio. Entendo essa gestão, caso contrário, ficaria um episódio extremamente longo [não me importaria], mas, confesso, estava à espera de outro tipo de sequência.


 O MELHOR 

Voltar aos cenários: Sabe-los de regresso aos sets mexeu bastante comigo, pela vulnerabilidade no olhar de cada elemento, pela nostalgia estampada no rosto e por ser tão óbvio que pertencem ali. Por breves instantes, senti-me a recuar no tempo e a ficar maravilhada com cada detalhe, como se os visse pela primeira vez. E, claro, teve um impacto diferente vê-los, novamente, no sofá laranja, a partilhar recordações inesquecíveis.

A leitura de algumas cenas: O tempo passou, mas a energia não esmoreceu. Aliás, foi como se nada tivesse acontecido entretanto, porque estávamos todos ali, a ver aqueles diálogos a ganharem forma. Mesmo que, depois, não transmitissem a cena final, era impossível não sermos transportados para as respetivas imagens.

A partilha dos fãs: Friends marcou gerações e mudou mesmo a vida das pessoas. Ouvir todos estes testemunhos foi a maior prova que não estamos sozinhos - e que há uma linguagem comum a unir-nos.


«SO NO ONE TOLD YOU LIFE WAS GONNA BE THIS WAY»

Sei que seria impensável concentrar uma década neste formato, mas faltou-me um lado um pouco mais intimista, que justificasse o fenómeno desta reunião. Apesar disso, foi emocionante reencontrá-los e reviver histórias que são imagem de marca, arrebatando o nosso coração. Foi só o tempo que passou, porque eles continuam a ser o mesmo grupo carismático, que ilumina a sala e que sempre nos amparou no seu regaço.

Friends The Reunion veio reforçar uma certeza: tal como cantam os The Rembrandts, eles estarão sempre aqui para nós. Porque nós estaremos sempre aqui para eles. Seja no Central Perk, atrás da porta roxa, a ver a fonte iluminada ou em qualquer parte do mundo. Porque há um fio invisível que nos aproxima. Para sempre.

16 comments

  1. Tenho que dar oportunidade a esta série, devo ser das poucas pessoas que nunca viu.

    Beijinho grande, minha querida!

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    1. Se tiveres oportunidade, aconselho! É uma série incrível *-*

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  2. Ca em casa quem gosta de Friends é o marido :D

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  3. Já tinha ouvido falar bastante bem, mas nunca me deu para assistir
    Beijinhos
    Novo post
    Tem post novos todos os dias

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  4. Já ouvi falar da série mais nunca assisti, mais tenho vontade de assistir, bjs.
    http://www.lucimarmoreira.com/

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  5. Ligo pouco a filmes e a sérios só algumas novelas. Mas não critico, de forma alguma, quem goste.
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    Bom fim de semana
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    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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    1. Eu sou mais séries, filmes e novelas nem por isso
      Claro, cada pessoa com os seus gostos :)

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  6. O ponto alto para mim, em que ri à gargalhada, foi quando leram a cena em que a Phoebe e a Rachel descobrem que a Monica e o Chandler estão juntos. A Lisa Kudrow é tão engraçada! 😂


    A Sofia World

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    1. Foi mesmo hilariante 😂 nesse momento, acabei por fechar os olhos e estava mesmo a ver a cena do episódio. É incrível!

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