ENTRELINHAS // FLORES

by - dezembro 10, 2020

Fotografia da minha autoria



«Viver não tem nada a ver com isso 
que as pessoas fazem todos os dias»


As memórias - sentidas ou construídas - são vínculos que definem a nossa identidade e que nos permitem estreitar laços. Quando esta faculdade afetiva começa a deteriorar-se, há uma parte da nossa história a pender para o vazio, corroborando a fragilidade humana, até que alguém nos segura pelo braço, libertando-se da sua própria bolha isolada, e nos mostra a importância de cuidarmos do outro. Por isso, regressei a Afonso Cruz, descobrindo uma história que nos lê a alma.

«[...] quando penso nisso, percebo aquela coisa de que cada homem é um universo, 
se não fosse não caberia tanto sofrimento dentro da cabeça de cada um»

Flores transborda humanidade, emoção e poesia. É um retrato impressionante do silêncio que grita, mas que continuamos a ignorar; da dormência, da dor, do amor e das relações dicotómicas, que tantas vezes sofrem com o conformismo e o marasmo da rotina. Além disso, leva-nos a refletir sobre a facilidade com que nos tornamos estranhos dentro da mesma casa e sobre a concentração dispensada em ninharias, perdendo o foco do que nos acrescenta. Protagonizado por personagens tão carismáticas, que funcionam numa dinâmica de espelhos, embarcamos numa viagem bonita de [auto]descoberta, de aprendizagem e de perdão.

«Da verdade espera-se tudo, sem ironia, espera-se tudo na sua forma 
mais pura. Colar a verdade a um homem é a derradeira esperança»

Inspirado em acontecimentos pessoais, numa espécie de purga, Flores mostra-nos Afonso Cruz num registo diferente do habitual: mais cru, mas sempre com um elevado nível de sensibilidade. Assim, apresentando um traço de ironia implícito, este livro é, sobretudo, acerca da amizade, do companheirismo e da verdade. É sobre ser colo. E sobre sermos nós, independentemente da forma como os outros nos veem. Porque essa observação pode influenciar-nos, mas nunca deve definir-nos.

«É por andarmos sempre a magoar-nos uns aos outros que não nos 
esquecemos uns dos outros, por causa das cicatrizes que deixamos»


// Disponibilidade //

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22 comentários

  1. Oww gostei tanto! A foto também está muito bonita? <3

    www.pimentamaisdoce.blogspot.com

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  2. O Afonso Cruz é dos meus autores portugueses favoritos, mas infelizmente ainda não li este livro. Tenho de dedicar um pouco mais de tempo aos nossos.

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  3. Que sugestao tao inspiradora, estou cada vez mais curiosa em relacao a este escritor :) A fotografia está tão bonita <3

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    1. Se tiveres oportunidade, recomendo imenso, minha querida <3
      Muito obrigada!

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  4. Não li, mas parece bom.
    Parabéns pela foto, perfeita para o livro em causa.
    Continuação de boa semana, querida amiga Andreia.
    Beijo.

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    1. Sou bastante suspeita, porque é um autor que adoro, mas é mesmo!

      Obrigada e igualmente, Jaime :)

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  5. Nunca li nada do autor, mas fiquei curiosa. Vou levar a sugestão. Obrigada pela partilha e parabéns pela tua foto, está maravilhosa.

    Beijinho grande!

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  6. Que tem mesmo uma historia bem interessante, ainda não conhecia
    Beijinhos
    Novo post
    Tem post novos todos os dias

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  7. Afonso Cruz ❤️ Mais um livro do autor que está na minha lista ;)

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  8. Já te tinha confessado que queria aventurar-me nos livros de Afonso Cruz, mas este convencer-me com esta pequena citação:“É por andarmos sempre a magoar-nos uns aos outros que não nos esquecemos uns dos outros, por causa das cicatrizes que deixamos”. Está na minha lista! Deve ser uma história tão bonita. 🥺

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    1. Sou suspeita, por adoro tudo o que o Afonso Cruz escreve, mas é mesmo *-*
      Este livro tem dividido opiniões, mas acho-o fantástico

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  9. Eu li este livro há uns aninhos e gostei mesmo muito! Tal como todos os de Afonso Cruz, tem algo de especial! Uma prosa cheia de poesia 💖

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    1. Sinto que pode escrever sobre o que quiser, que conseguirá sempre encontrar poesia no tema. Fico fascinada com os seus livros *-*

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