1+3 | 13 Qualidades

Fotografia pessoal


«É fácil encontrar defeitos, qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidades, isso, é para sábios»Augusto Cury



A valorização das nossas características/competências deveria ser tão natural como respirar. No entanto, é dos processos mais complexos. Porque somos extremamente exigentes connosco e achamos [quase] sempre exagerado quando alguém nos elogia por determinado feito. Há um muro que erguemos e que nos impede de vermos e, até, de celebrarmos aquilo que temos e fazemos de melhor, porque nada é suficiente. Ou digno de apontamento. E não poderíamos estar mais errados!

Há uns anos, no primeiro dia de uma formação sobre Igualdade de Género, tivemos que preencher dois cartões: um com qualidades e outro com defeitos. Não me recordo do que escrevi, mas tenho bem presente que foi muito mais simples completar o segundo. Na altura, encarei este facto com bastante descontração. Porém, houve um porquê que passou a ecoar. A inquietar-me. E a fazer-me ver que, talvez, esta postura não seria a mais saudável. Porque choca, sobretudo, com o nosso amor-próprio, que deve ser a base da nossa essência. E vivendo em sociedade, acredito que só podemos amar os outros genuína e descomplexadamente se nutrirmos esse sentimento por nós, em primeiro lugar. E esse efeito começa quando nos reconhecemos em todas as dimensões da nossa vida.

Sinto que o problema reside na sensação de que, ao fazê-lo, assumimos uma atitude de presunção. O que, claro, em alguns casos até pode corresponder à verdade, mas na maioria não. Quanto muito, é uma falta de confiança camuflada, que também se trabalha. Porque é tão importante enumerar os nossos defeitos - para nos consciencializarmos sobre eles, os corrigirmos ou minimizarmos -, como destacar os nossos pontos fortes, pois são eles que nos evidenciam. São as nossas ferramentas de resiliência e de superação. Qual é, então, a razão para os desvalorizarmos? Porquê escondê-los? Os pratos da balança devem manter-se em equilíbrio, para desfrutarmos do nosso caminho em pleno. Mas se tiver que pesar mais para um dos lados, que seja para o das nossas qualidades, porque, muitas ou poucas, merecem ser distinguidas. Sem culpas.

De uma forma regular, tenho procurado desconstruir o que listei naqueles cartões. Olho cada vez mais para mim, com o intuito de me conhecer, de desvendar cada fragmento que me compõe. E com este processo - e desafio - de autoconhecimento tenho chegado a lugares bonitos, que me permitem valorizar quem sou.



As 13 qualidades que reconheço em mim



Boa ouvinte: A parte maravilhosa da minha timidez é que me possibilitou desenvolver a capacidade de ouvir os outros - independentemente de partilharem um pormenor descabido ou um problema grave -, porque acredito que é algo fundamental nesta questão de viver em comunidade. Por isso, sempre preferi mais ouvir do que falar [ainda que a última também seja importante]. Ademais, sinto que, muitas vezes, as pessoas só necessitam de alguém que as escute, sem serem bombardeadas com inúmeras opiniões e soluções. Quando fiz voluntariado com idosos [apoio domiciliário], achei que teria muito pouco a acrescentar àquelas vidas, por terem mais experiência e sabedoria do que eu. E foi a ouvi-las que, para além de crescer, percebi que este nível de predisposição também é uma forma de as valorizar e de ajudar a eternizar as suas memórias. Saber escutar é o passo mais firme para, posteriormente, proferirmos um discurso coerente e fundamentado.

Empatia: Sou incapaz de ficar indiferente aos problemas das pessoas, principalmente quando me são próximas. Ainda que não me seja possível tomá-los como meus - até por uma questão de preservação -, não os desvalorizo e procuro fazer o que estiver ao meu alcance para, se possível, os solucionar. Por outro lado, vibro genuinamente com as suas conquistas - o que me deixa feliz e de coração a transbordar de orgulho. Esta «forma de identificação intelectual ou afetiva» é um traço que valorizo imenso nos outros, portanto, comecei por fomentá-lo em mim. 

Gratidão: Aprendi a agradecer tudo o que me acontece de bom, em vez de protestar com o que [supostamente] falta. E isso permitiu-me focar no que vale realmente a pena. Logo, sou extremamente grata pelas pessoas que tenho na minha vida e por todas aquelas já saíram, mas que plantaram uma semente de aprendizagem; sou grata pelo caminho que já percorri e, ainda que seja difícil, pelos obstáculos que tenho de ultrapassar - e pelos que já ultrapassei. Este sentido de gratidão deixou-me mais apta a perceber que nem sempre a nossa rota é a que idealizamos, mas que isso não significa que não seja igualmente enriquecedora. Sinto que passo a vida a agradecer. No entanto, isso deixa-me em paz, principalmente porque só tenho motivos para o fazer.

O meu sorriso: Largo, puro, sempre pronto. Porque tenho um sorriso fácil que, quase sempre, vem acompanhado de uma gargalhada expressiva. Acredito mesmo que é a nossa melhor arma para os dias cinzentos da alma - mas sem o forçarmos - e que transmite um vínculo com quem nos rodeia. Quando olho, por exemplo, para uma fotografia minha, é a primeira coisa em que reparo. E, geralmente, gosto do que vejo, porque o acho bonito - e sincero. Mesmo que, por vezes, possa andar com um semblante mais fechado ou, maioritariamente, alheado em pensamento, tenho sempre um sorriso pronto para dar.

Sentido de compromisso: Com pessoas, projetos, valores e convicções. Quando me envolvo em algo, faço-o com total dedicação e consciência. Por essa razão, só participo em desafios/iniciativas se sentir que me posso entregar de corpo e alma. Por vezes, há imprevistos, mas isso, para além de não controlarmos, faz parte. Agora, acho inconcebível aceitar uma proposta sabendo que o meu tempo não tem espaço para a abraçar convenientemente. Angustia-me pensar que posso falhar a alguém. A base de confiança é demasiado preciosa para ser quebrada. Portanto, tenho imenso respeito pelas minhas responsabilidades - sejam elas de que natureza forem.

Positividade: Vejo sempre o copo meio-cheio, mesmo quando não é intuitivo. E acho que é a maneira mais saudável de viver, porque prefiro aliar-me à esperança, ao otimismo. Como é natural, a vida dá imensas voltas e não são todas felizes. Mas se, mantendo uma postura positiva, nem sempre é fácil gerir determinadas situações, imaginem, então, vivenciá-las com uma carga ainda mais negativa. Isso não quer dizer que não sofra, que não tenha os meus momentos mais taciturnos, simplesmente opto por procurar o melhor de cada situação. Porque é a prática que mais se adequa à minha forma de ser.

A minha escrita: Escrever é uma das minhas grandes paixões. E tenho, desde cedo, facilidade com as palavras. Porque coloco a minha alma quando passo as ideias para o papel. Ainda que a maior parte dos meus textos não seja autobiográfica, dedico-me a todos eles com o mesmo respeito e o mesmo entusiasmo. Além disso, tive sempre o cuidado de escrever corretamente. A verdade é que demorei anos a reconhecer que tenho talento e que não há mal algum em dizê-lo. Não é, de todo, uma questão de vaidade. É, sim, compreender que todos nascemos com um dom. E que este é o meu. Claro que nem todos o encararão dessa forma, porque não nos identificamos com os mesmos estilos de escrita, mas aprendi a valorizar o que crio, uma vez que sinto que consigo transmitir com clareza as emoções, os pensamentos, as realidades que habitam na minha imaginação.

Sou apaixonada: Pela vida, pelas minhas pessoas, pelo meu país, pelos meus gostos... Há tanta coisa que me apaixona e que me move. E só me faz sentido viver com esta cumplicidade. Inclusivamente, sinto que falo de todas elas com um brilho no olhar e com um orgulho desmedido. E gosto desta intensidade. Para mim, por exemplo, cada segunda-feira é sinónimo de recomeço, de uma nova oportunidade. E é este o ponto da minha paixão. Porque num mundo em que a maioria repele o primeiro dia da semana, eu abro-lhe a porta da minha casa e aproveito-o ao segundo. É tão extraordinário vivermos apaixonados, independentemente do foco das nossas paixões.

Sentido de humor: Que me permite rir de mim e não me levar tão a sério. Sinceramente, acho que tudo pode ser objeto de sátira, quando feito de forma consciente e sem procurar, disfarçadamente, atacar o outro. Paralelamente, acredito que o humor é uma forma de colocar todos os assuntos em pé de igualdade. Há uns tempos, numa entrevista, Luís Franco-Bastos destacou esse caráter unificador e igualitário, até porque o alvo é o tema e não o indivíduo - acho que as pessoas ainda confundem muito o sujeito da piada. Felizmente, aprendi a rir de tudo, desde que, claro está, não seja um ataque deliberado. Levo as coisas na desportiva. Sou a primeira a rir de mim e a caricaturar os meus momentos hilariantes [ou ridículos]. A vida é demasiado preciosa para levarmos tudo a peito.

Sou justa: A minha mente aberta e condescendente permite-me olhar para os factos com o mesmo nível de critério e saber que tudo tem uma ocasião própria para ser dito ou explorado. Para mim, é fundamental conhecer os dois lados da história antes de tecer qualquer comentário. Quando tal não é possível, resguardo-me nesse sentido e sublinho que, por não saber o todo, a minha visão se cinge àquela parte. Acho que isto se relaciona com o meu lado sensato e ponderado, porque não tomo partido sem acreditar nele. Nem compactuo com determinada atitude só para agradar. E muito menos escolho um lado só por ser ocupado por alguém que me é próximo - acho que fazê-lo seria muito mais desleal. Com respeito e sem qualquer tipo de julgamento, procuro analisar as situações com justiça, sem me deixar influenciar.

Pontualidade: Se há algo que me incomoda é saber que tenho alguém à minha espera. Aliás, detesto! Prefiro chegar meia-hora mais cedo do que um minuto depois da hora. Porque se a pessoa organiza o seu tempo de modo a poder estar comigo, não é justo não cumprir o horário combinado. Além do mais, cada segundo com os nossos é especial, porquê desperdiçá-lo com atrasos? Mas não me restrinjo a esta componente proximal, tenho a mesma postura em relação a um compromisso formal e/ou profissional.

Humildade: Reconheço os meus erros, os meus defeitos, as minhas limitações. Sei ouvir quando apontam uma falha no meu desempenho e não me sinto melindrada, porque sei que tudo nos ajuda a crescer. Não deixo que me pisem, mas não me acho intocável. E tenho a humildade de saber o meu lugar, de opinar só quando tenho argumentos válidos para o efeito e de ajustar a minha atitude aos diversos contextos - sem anular quem sou. Acho que é das qualidades que nos leva mais longe na vida.

A minha essência: Educada, entusiasta, sonhadora, terra-a-terra, persistente, atenciosa, teimosa, equilibrada, com um gosto musical portuguesmente vincado, resiliente, criativa, paciente, divertida, altruísta, insegura, irrequieta, ligeiramente desorganizada, introspetiva, curiosa, silenciosa, barulhenta [principalmente a ver futebol], focada, que não desiste, mas que sabe quando largar a mão. Não sou perfeita, nem nunca o ambicionei. Mas sempre fiz por ser a minha melhor versão. Sinto que há um mundo dentro de mim, dividido em infinitas partes, que se rege pela verdade. Tenho os meus ataques de mau feitio, mas sei que, no fundo, o meu coração-hospedeiro carregará sempre uma luz boa, porque sou genuinamente preocupada com o que me rodeia - e com aqueles que fazem parte da minha história.



[Publicação inserida no desafio 1+3]

22 comentários

  1. Concordo, é muito mais fácil vermos os nossos defeitos que as qualidades.
    Mas por vezes quando olhamos mesmo no fundo percebemos que temos qualidades.
    Gostei :)

    ResponderEliminar
  2. Hehe entendo te bem, para me por defeitos estou cá eu... :/ incrível não? Também já tive de preencher esse questionário numa formação e já na altura aconteceu me o mesmo :)
    Gosto do teu sorriso sempre positivo e do teu espírito que transmite muita humildade :)
    Amanhã sai o meu post a este desafio :)
    Bjinhosss e boa sexta*
    https://matildeferreira.co.uk/

    ResponderEliminar
  3. São qualidades essenciais para se ser uma boa pessoa dentro do coração!!

    Adoro os sorrisos nas fotos!!

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. De facto, somos mais propensos a deslindar os nossos defeitos do que as nossas qualidades e chegamos até a classificar qualidades nossas como defeitos. É um hábito tão arreigado que acabamos por confundir a capacidade de ver qualidades como arrogância.
    Gostei bastante de saber um bocadinho mais de ti. Pelo modo sensível como escreves, intuí que és uma pessoa empática e acertei :) É algo tão importante e que tanta falta nos faz.

    ResponderEliminar
  5. Tu ainda conseguis-te escrever aí qualidades, eu de certeza que nem uma conseguia escrever sobre mim. É tão mais fácil apontar os defeitos, infelizmente.
    Gostei de ficar a saber um pouco mais sobre ti!

    ResponderEliminar
  6. Oh gostei bastante de conhecer um pouco mais sobre ti, olha que adorei quando dizes que adoras o teu sorriso também é uma coisa que adoro em mim
    Beijinhos
    Novo post (Novo Conjunto?) // CantinhoDaSofia /Facebook /Intagram
    Tem post novos todos os dias

    ResponderEliminar
  7. A nossa valorização é um dos processos mais importantes da nossa vida, mas é também bastante complexo. É sempre mais fácil apontarmos os nossos defeitos e esquecermos-nos das nossas qualidades, ainda assim, a valorização é um processo essencial, pois como tu tão bem referes "acredito que só podemos amar os outros genuína e descomplexadamente se nutrirmos esse sentimento por nós, em primeiro lugar. E esse efeito começa quando nos reconhecemos em todas as dimensões da nossa vida."

    Em relação às tuas qualidades, identifico-me muito com muitas delas e é tão bom ver que preservas algumas daquelas que eu considero essenciais para a convivência em sociedade e para sermos pessoas mais felizes.
    Gostei muito muito de ler esta publicação e ver que te reconheces tão bem, especialmente, aquele último ponto, por isso, espero que te mantenhas sempre assim, fiel a ti, com esse enorme coração e que a humildade faça sempre parte dos teus dias. Que essa essência boa nunca se perca e que continues a sorrir por aí fora :)

    ResponderEliminar
  8. R: também não gostei muito da nossa exibição contra Marrocos, pareciam um bocadinho perdidos e descompensados. O certo é que ganhámos e ficámos um passinho mais perto. Esperemos que agora com o Irão corra muito melhor. Vamos continuar a acreditar :)

    ResponderEliminar
  9. Achei este post tão bonito, Andreia! Que bom que o fizeste! Às vezes perdemos tanto tempo a olhar para os nossos defeitos que nos esquecemos das nossas qualidades. É bom que alguém use esta plataforma para dizer "estas são as minhas qualidades" e mostrar que todos as temos. Tenho a certeza que ao ler este post, tal como eu, toda a gente vai refletir sobre as qualidades que tem e lembrar-se que é mais do que aquele defeito que está a tentar corrigir :)

    ResponderEliminar
  10. Só qualidades magnificas que de facto se dão conta ao longo das tuas publicações. Uma menina com muito para dar. Nos adoramos vir cá :)
    E essa fotografia mais gira no Serralves? ;) ;)
    beijinhos***

    ResponderEliminar
  11. De facto é-nos sempre mais fácil ver os defeitos que as qualidades. Por medo? Por vergonha? Não sei... curiosamente partilho contigo algumas qualidades.

    Gostei muito do post.

    Beijinhos! :)

    ResponderEliminar
  12. Adorei! Confesso que não fiquei admirada com as qualidades que escolheste pois enquadram-se naquilo que penso de ti!
    Espero que não te importes mas vou levar a ideia para o meu cantinho!

    Bjxxx
    Ontem é só Memória | Facebook | Instagram

    ResponderEliminar
  13. Apesar de não te conhecer pessoalmente, consigo reconhecer alguns dos que referiste (bastantes até)! :) Continua a ser essa miúda sempre querida, humilde, honesta e linda!!!
    Um beijinho grande *.*

    ResponderEliminar
  14. Gostei tanto de ler as tuas qualidades minha querida! É tão bom conhecer-te um bocadinho melhor, adorei mesmo!
    Beijinho, Ana Rita*
    BLOG: https://hannamargherita.blogspot.com/ || INSTAGRAM: https://www.instagram.com/rititipi/ || FACEBOOK: https://www.facebook.com/margheritablog/

    ResponderEliminar
  15. Gostei, é tão bom quando paramos um pouco para pensarmos nas nossas qualidades quando por vezes é tão mais fácil vermos apenas os defeitos.
    Beijinhos
    http://virginiaferreira91.blogspot.com

    ResponderEliminar
  16. Penso que temos tendência a evidenciar os defeitos para nos protegermos. Por um lado temos receio de que nos achem presunçosos por enumerarmos as qualidades e, ao mesmo tempo, salientando os defeitos mostramos que sabemos bem aquilo que as más-línguas veem e dizem de nós. xD

    ResponderEliminar
  17. R: O DN dizia que o gato é reincidente e que nas últimas semanas já tinha sido resgatado duas ou três vezes.
    Gosta de poleiro eheheh.

    ResponderEliminar
  18. awww, pelo amor de Deus não faças isso :( Ainda para mais tens um cabelão lindo :3

    Por norma, só quem é realmente adulto e maduro, consegue perceber as qualidade que tem. E acho essencial fazer esse género de introspeção... não por falsa modéstia nem "sou melhor que X", mas em certa parte, pelo amor próprio! É engraçado que, mesmo só te conhecendo por aqui, consegui, sempre, perceber essas qualidades! Tal como já disse: és linda... por dentro e por fora <3

    NEW WISHES POST | ABOUT SALES: PLEASE DON'T BUY MY SIZES!!!! :O
    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

    ResponderEliminar
  19. A passar por cá para desejar bom fim de semana!
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

    ResponderEliminar
  20. Eu tenho muita dificuldade em acreditar nos elogios que me fazem. Acho sempre que são exagerados ou que só dizem algo para me deixarem feliz. É algo que tenho tentado mudar. Tenho tentado olhar mais para as minhas qualidades em fez de ficar ligada apenas aos defeitos.

    Estas qualidades que enumerate são preciosas. Nunca mudes, és uma pessoa excecional :)

    ResponderEliminar