Entrelinhas #46

Fotografia da minha autoria


«Mas não há melhor maneira de descobrir o que é o hygge do que quando o sentimos»



Uma manta. Uma chávena de chá. Velas. Comida reconfortante... Há livros que, seguindo este índice caloroso, são um autêntico aconchego. Pela luz que irradiam. Pela energia pura. Pela simplicidade. Por reunirem os pormenores importantes. E nesta familiaridade que sentimos ao folheá-los, percebemos que o melhor é mesmo descobri-los aos poucos, como quem repousa uma caneca de chocolate quente entre as mãos e a vai degustando devagar.

O Livro do Hygge, escrito pelo presidente do Happiness Research Institute - Meik Wiking -, é um desses casos que nos convida a abrandar. E a ler os seus contornos com calma. Precisamente o oposto do que eu fiz, porque fui completamente envolvida neste conceito. Fiquei de tal modo fascinada que não quis parar. E deixei-me ficar de livro aberto, a absorver a paz, a serenidade, a cultura e os costumes do povo dinamarquês, que guarda o segredo para ser feliz.

O termo hygge não tem uma tradução literal, tal como a nossa saudade, o que encerra em si este caráter de pertença. Por mais que o procuremos replicar, as suas raízes são de origem única. No entanto, o autor globaliza esta conceção, mostrando que a podemos encontrar em qualquer parte do mundo. Aliás, podemos adaptá-la à nossa realidade, mas isso implica que todas as dicas disponibilizadas estejam sempre dependentes da nossa aceitação, da nossa vontade e do próprio contexto pessoal. Porque o hygge vem de dentro. E, para além de ser a «arte de criar intimidade», simboliza o «conforto da alma».

Esta obra leva-nos numa viagem pela felicidade no seu estado mais puro. Pelos detalhes. E pela sensação de segurança, conforto e bem-estar. Ao avançarmos, compreendemos que estamos perante uma filosofia de vida, que privilegia a família, a casa, os pequenos prazeres, o minimalismo, o sentido prático; e que valoriza muito mais o processo do que o resultado. Após uma introdução que nos explica todo o conceito, somos recebidos por um conjunto de capítulos que abordam temas específicos, desde a luz à roupa, passando pela cozinha, pelo Natal e por mais uma série de tópicos que potenciam o nosso lado mais hygge. E uma particularidade curiosa é que têm palavras específicas para identificar várias categorias, constituindo um pequeno dicionário, às quais podemos recorrer sempre que precisarmos de denominar determina prática [ex: «Ele é mesmo um hyggeonkel»].

Há, ainda, inúmeras referências ao quotidiano dinamarquês e um roteiro por alguns locais de Copenhaga. Porém, esta obra esta longe de ser um exemplar turístico. E não pretende ser um guia de mandamentos a cumprir rigorosamente, mesmo com tantas sugestões inspiradoras. Sinto, sim, que este livro transmite uma aura bastante positiva. Que há um grande respeito pelo outro, pela natureza, pelas coisas, pela vida. E que dá oportunidade ao tempo - horário, meteorológico e individual. E esta forma de estar cativa, na mesma medida que estabelece uma identificação, porque acabamos por descobrir que, muito ou pouco, há algo de hygge em nós.

A harmonia está bem presente, quer na beleza da capa, quer no discurso próximo e nas fotografias que nos arrebatam. Tive a oportunidade de adquirir O Livro do Hygge na Feira do Livro, quando a minha curiosidade sobre o mesmo já era quase palpável. E cheguei ao fim com a certeza de que foi uma aposta ganha. Além disso, poderei revisitá-lo em diversas ocasiões, porque em todas receberei este aconchego mágico, transversal a cada manifesto.



Deixo-vos, agora, com algumas citações:

«O hygge trata de atmosfera e experiência, e não de coisas.
Trata de estarmos com entes queridos. A sensação de estar em casa.
A sensação de estar a salvo, escudados do mundo e de podermos baixar a guarda. Podermos ter uma conversa infindável sobre as pequenas ou as grande coisas da vida» [p:6];

«Segundo a "hipótese de pertença", temos uma necessidade básica de nos sentirmos ligados aos outros, e os laços próximos e afetuosos com as outras pessoas têm um papel preponderante na motivação e no comportamento» [p:61];

«Todos os dias depois do trabalho eu chegava a casa e abria o frigorífico, para cheirar a minha confeção. O resultado final foi assim-assim, mas o gozo de acompanhar a maturação dentro do frasco no frigorífico foi completamente hygge» [p:85];

«Toda a casa precisa de um hyggekrog, ou seja, um recanto, um nicho. O sítio onde adoramos aninhar-nos com uma manta, um livro e um chá. O meu fica à janela da cozinha» [p:118];

«Parece que a maioria dos momentos hygge tem alicerces na informalidade. Para que se possa gerar hygge todos os intervenientes devem estar descontraídos. Não é preciso formalidades. Venham como estão e sejam como são» [p:144].

25 comentários

  1. Adoro, adoro este modo de vida :) tenho este livro é o Lagom na minha mesinha de cabeceira :) já falei deles no meu blog, quem me segue no insta também os vê por lá :) gosto da palavra assim como da nossa saudade :) mas ao contrária da nossa hygge não é triste muito pelo contrário, fala de felicidade... porém com um pouco de melancolia da boa :)
    Bjinhosss
    https://matildeferreira.co.uk/

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  2. Bom dia. Muito bom. Adorei a publicação, bem como as tuas palavras. :))


    Hoje:- Eis a fonte que nos alimenta alma

    Bjos
    Votos de uma boa Quinta-Feira

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  3. Estive com esse livro na mão e acabei por não o comprar, mas já tinha lido sobre o conceito e achei-o muito interessante. Não é por acaso que a Dinamarca é considerada um dos países mais felizes do mundo. Dentro do hygge já comecei a abraçar o minimalismo e é uma mudança muito reconfortante. O desapego preenche-nos :)

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  4. Parece ser uma boa sugestão de leitura.
    Vou anotar para uma próxima oportunidade.
    Continuação de boa semana, amiga Andreia.
    Beijo.

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  5. This Term " Hygge" seems really interesting and book too. i will try to read it. Thanks for sharing.

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  6. Ando há imenso tempo para ler esse livro! Quero tantooo!

    Ótimo post, um beijinho:*

    https://www.healthyfoodandme.com/

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  7. Como já tinha-te referido gostaria imenso de ler este livro, especialmente agora que estou a adotar uma forma de viver diferente (até hipnose já faço ahah) e sinto que só faz bem. Quero ver se o encontro na próxima feira do livro que houver por cá. Muito obrigada pela review maravilhosa. Beijinho grande <3

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  8. Por acaso é um livro que quero muito ler! :D

    amarcadamarta.blogspot.pt

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  9. Parece ser um livro bem interessante, ainda não conhecia!

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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  10. Já li este livro e adorei-o! Uma pessoa olha logo para a vida de uma forma completamente diferente :)

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  11. Hummm parece uma boa leitura, e o conceito minimalista anda a ganhar território,,, têm os seus prós e os seus contras, no minimalismo não consigo visualizar um hyggekrog, mas devo ter mesmo que estudar mais o assunto!!

    Ps: adorei a foto!!

    Beijinhos
    https://titicadeia.blogspot.pt/

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  12. Nao conhecia mas parece k ja ando a praticar 💖
    Obrigada pelos concelhos. Vou tentar melhorar

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  13. Não conhecia o livro nem muito menos essa expressão, mas para ser sincera, já está na minha lista de compras o:

    Beijinhos,
    DEZASSETE

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  14. Parece interessante, o que seria de nós sem a felicidade:)
    Beijinhos

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  15. ;)

    Nunca tinha ouvido falar do termo. Fiquei curiosa! Ah! E amei muito a capa!

    Ótima quinta!

    Beijo! ^^

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  16. Estou a gostar de ler, a minha amiga Clara emprestou-me.
    Boas leituras
    Bjs

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  17. Fiquei mesmo curiosa com este livro. Deve ser delicioso ;)

    Beijinhos!

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  18. Confesso que não conhecia mas fiquei curiosa.
    Segui o blog.
    http://virginiaferreira91.blogspot.pt/

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  19. Obrigado, meu bem. Sim, é precisamente isso. Eu sou das pessoas que mais pensa e que acaba por não conseguir canalizar as forças para mim ao condensá-las para os outros. E o meu maior problema está aí... O apego máximo.
    É engraçado que uma das citações do Hygge, que destacaste, faz referência a isso: "«Segundo a "hipótese de pertença", temos uma necessidade básica de nos sentirmos ligados aos outros, e os laços próximos e afetuosos com as outras pessoas têm um papel preponderante na motivação e no comportamento» [p:61];" ...

    É incrível como conseguimos andar quase sempre em sintonia!
    De facto é um livro que gostava muito de ler e com o qual já estive na mãe. Suscita-me interesse que fale numa cultura diferente e que nos mostre perspectivas de vida também elas diferentes. Acho que isso acaba por ter um papel preponderante na nossa vida!

    NEW TIPS POST | MOTHER'S DAY: THE BEST GIFT SUGGESTIONS. :D
    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  20. Ofereci esse livro à minha madrinha na Páscoa, com a intenção de o ler também ahaha :p
    Este post abriu-me mesmo o apetite para a leitura!

    Beijocas,

    Daniela

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  21. Já tenho ouvido falar imenso e bem desse livro e é mesmo um que quero comprar, por sentir que me faz falta, naquelas semanas mais agitadas, sentir a calma que a vida deve ter, a serenidade bonita dos nossos dias, apesar de cheios de pressa, as pequenas coisas... a felicidade, portanto <3

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  22. " (...) este livro transmite uma aura bastante positiva. Que há um grande respeito pelo outro, pela natureza, pelas coisas, pela vida." - vou anotar já, gosto deste género de livros, que nos fazem refletir de certa forma sobre o nosso modo de vida. Acho que é mesmo interessante conhecermos algo novo e ainda fazer uma breve reflexão.

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