Festival da Canção 2018

Fotografia retirada do site ESC Portugal

«Podem fazer muros, mas não tapam a alma»



O Festival da Canção, «concurso anual promovido pela RTP, desde 1964», sempre foi uma espécie de programa de culto. O país quase que parava para assistir ao momento. As famílias reuniam-se em frente à televisão. E descobriam-se verdadeiros talentos. Consequentemente, houve músicas que se tornaram intemporais. Claro que esta proximidade ao Festival nem sempre foi linear. Porque ou era uma moda assistir ou a moda passava por nem sequer vê-lo. Apesar desta inconstância do público, os concorrentes foram tentando a sua sorte. E depois de, no ano passado, sermos brindados com o belíssimo Amar Pelos Dois, a fasquia ficou mais elevada. Será que a superamos?

Pessoalmente, e excluindo as que não acompanhei por ainda não ser nascida, houve edições que me marcaram mais do que outras. E estava bastante ansiosa com a deste ano, por quatro motivos: Diogo Piçarra, Janeiro, Isaura e Diogo Clemente. Foi com um enorme sentimento de orgulho que recebi a notícia de que o Piçarra seria um dos semifinalistas, concorrendo como compositor e interprete. Porém, fiquei igualmente feliz quando vi os outros três nomes na lista de participantes: Janeiro também como compositor e interprete; Isaura e Diogo Clemente somente como compositores, escolhendo, respetivamente, Cláudia Pascoal e Peu Madureira para darem voz às suas músicas. Quis o destino [ou o sorteio, para os mais céticos] que o meu coração dividisse as emoções de forma equilibrada pelas duas semifinais, já que dois dos artistas participaram na primeira [dia 18] e os outros dois na segunda [dia 25]. Eu sabia que não me iriam desiludir, até porque aprecio o estilo musical de cada um, mas conseguiram superar as minhas expectativas. E fiquei serena por saber que a espera compensou.

As minhas preferências eram claras. No entanto, mantive-me de peito aberto, pois há sempre lugar para surpresas; para sermos arrebatados por temas que não estávamos à espera que nos entusiasmassem tanto. Contrariamente a alguns comentários que fui lendo, não sinto que houvesse uma intenção de imitar Salvador Sobral. Sinto, sim, que os concorrentes perceberam que podemos dar asas ao que é nosso [como a saudade e a melancolia]; que podemos preservar a nossa individualidade e tocar o mundo. O idioma não é barreira, porque a música transcende essa questão. A música é interpretação, é sentimento, é alma. Por isso, sou muito grata por viver num país que é musicalmente versátil. E dotado de talento! Focando-me, concretamente, nas duas eliminatórias, cada uma delas era composta por 13 canções a votação, das quais sete passariam à final. De um modo geral, gostei mais da primeira, pois foi-me muito natural escolher os sete temas que pretendia que passassem; na segunda tive mais dificuldades. Apesar disso, penso que ambas proporcionaram momentos extraordinários.

A final é já no próximo domingo, dia 4 de março, e eu sei bem quem queria que ganhasse: Canção do Fim. Antes de avançar, aproveito para fazer um parênteses breve a toda a polémica instalada. Acredito no comunicado que o Diogo escreveu, porque acredito nele por inteiro. Tenho o privilégio de acompanhar o seu percurso há anos e existem coisas que não se podem fingir: o seu respeito, a sua honestidade, a sua entrega, a sua escrita apaixonante, a sua mestria. Reconheço as semelhanças que procuram evidenciar na melodia, mas recuso por completo a falta de caráter que, por entre linhas, lhe querem associar. Acham mesmo que um artista em ascensão como ele iria deitar tudo a perder? Acham mesmo que se colocaria numa posição destas, manchando uma carreira que tem construído com tanta sensibilidade e inteligência, se estivesse consciente do sucedido? Continuarei a defender o não. E a defendê-lo a ele, ainda que ele não precise, porque o seu trabalho é prova suficiente daquilo que vale enquanto pessoa e, sobretudo, enquanto profissional. Por isso, e por saber que tem «o coração no sítio certo», o meu voto é dele. Até ao fim [mesmo que esse fim tenha chegado mais cedo do que o previsto]!

As 14 canções finalistas já têm o alinhamento definido [aqui]. E ainda que, naturalmente, só possa vencer uma - e eu tenha uma favorita óbvia -, não posso deixar de partilhar o meu top 7:

1º: Canção do Fim - Diogo Piçarra
2º: [Sem título] - Janeiro
3º: O Jardim - Isaura [na voz de Cláudia Pascoal]
4º: Só Por Ela - Diogo Clemente [na voz de Peu Madureira]
5º: Zero a Zero - Benjamim [na voz de Joana Espadinha]
6º: Anda Estragar-me os Planos - Francisca Cortesão [na voz de Joana Barra Vaz]
7º: Amor Veloz - Francisco Rebelo [na voz de David Pessoa]

Infelizmente, algumas horas depois de ter escrito e agendado esta publicação, Diogo Piçarra anunciou que decidiu «terminar a sua participação no Festival». Esta notícia foi um verdadeiro murro no estômago, até porque, como ele refere, tudo o que se criou em torno deste assunto «já não é Música». E aplaudo-o de pé por, uma vez mais, ter demonstrado toda a sua integridade ao não alimentar «esta nuvem». Não vou esconder a tristeza deste momento, mas reforço o orgulho que tenho em admirar um artista tão inspirador. Num mundo em que há pessoas com tanta falta de amor, é bom sentir que ele continua a ser a exceção à regra. Que é feito de luz boa. Que tem uma personalidade bonita, que nos abraça e nos contagia. E que, ao lutar pelo que é mais importante, se apresenta sem máscaras e sem segundas intenções. Perdemos todos com este desfecho. Porém, ao contrário no nome da música, esta não é uma canção do fim. É um recomeço. Porque aquilo que se passou em palco, a mensagem poderosa da letra, o detalhe carismático dos músicos a tocarem vendados, ficará para sempre. Por mais muros que se criem, nenhuma barreira o impedirá de continuar. E com ainda mais força! 

Na impossibilidade de vencer aquele que era, para mim, o melhor tema, fico a torcer para que a decisão seja, sobretudo, entre aqueles que destaquei no segundo, terceiro e quarto lugares, porque têm qualidade para nos representarem muitíssimo bem. E vocês, têm alguma preferência?

27 comentários

  1. Eu tenho de parar de comprar riscas porque já é uma obsessão e tanto ahahah Não consigo ter controlo :P

    Ohn :') Não tenho palavras para ti. E tu sabes! Obrigado de coração <3

    Não vi o festival, com muita pena minha, nem tenho bem em mente as canções escolhidas. Vou ter de me socorrer dos teus links para as conhecer! De qualquer das formas confio plenamente no teu gosto musical que vai sempre ao encontro do meu :p

    NEW CITY BREAKS POST | AÇORES: THE MOST AMAZING ROAD TRIP. :O
    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

    ResponderEliminar
  2. Confesso que não tenho acompanho nada sobre o festival...


    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

    ResponderEliminar
  3. Eu não vi o festival, aliás a ultima vez que vi o festival foi por causa dos Homens da Luta, não me censurem, mas a verdade é que aquela malta uniu uma geração.

    Talvez volte a ver quando foram os Ena Pá 2000.

    Beijinhos
    https://titicadeia.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  4. Não tenho acompanhado o festival da canção mas parece que este festival ganhou uma nova vida.
    Um abraço e continuação de boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    O prazer dos livros

    ResponderEliminar
  5. Tive imensa pena que o Diogo tivesse desistido, penso que o que se passou não pode considerar-se plágio. Há de facto uma semelhança de melodias, mas a letra é completamente diferente. A música era lindíssima e ele venceria de certeza. Ainda que ache a atitude dele sensata em ter desistido para não alimentar o assunto.

    Nesse sentido, aposto na do Diogo Clemente, gostei imenso =)

    Beijinhos :*

    ResponderEliminar
  6. Combinado não teria saído melhor hehe
    Eu não acho a música do Diogo parecida com nenhuma outra muito menos com uma música da iurd... as pessoas qd querem implicar são mesmo mas... e isso deixa me frustrada e revoltada! Mas o que interessa é a postura do nosso Diogo! Mais uma vez ele provou que não alimenta polêmicas! Mesmo que não ganhe para mim já é um vencedor!
    Muitos bjinhosss
    https://matildeferreira.co.uk

    ResponderEliminar
  7. Não tenho visto, porém, tenho acompanhado as noticias sobre o Diogo Piçarra. Que triste


    Bjos
    Votos de uma boa Quarta- Feira.

    ResponderEliminar
  8. A minha preferida é O jardim, por causa do sentimento presente, mas também anda a ser acusada de plágio. Acho que ele fez bem em retirar-se, a carreira dele é mais importante do que o Festival da Canção e a Eurovisão.
    O Vitorino de Almeida, que é maestro e, por isso, deve saber mais do que todos nós juntos, disse que a melodia é tão elementar que acaba por ser fácil reproduzi-la sem se saber que ela já existe noutra música.
    Quanto às minhas preferências, para além da que já referi também gosto do Voo das cegonhas e Para sorrir eu não preciso de nada. O resto não gostei, embora ande a cantar muito o Patati Patata por ser super alegre xD

    ResponderEliminar
  9. Não tenho acompanhados os festivais e só pelas notícias me apercebi da polémica do plagio. Polémica que, a meu ver, não tem razão de existir. Como dizia o Maestro Vitorino de Almeida, aquilo não é plágio, é igual. O fulano limitou-se a escrever uma letra que escarrapachou em cima de uma música que já existia. Acho que não é preciso ser maestro para perceber e, desculpem-me as fãs do Piçarra, mas só com muito boa vontade se consegue notar diferenças. eheheheh
    Volta Tony Carreira, que estás perdoado. eheheh

    ResponderEliminar
  10. Nomeei-te para uma nova TAG: the-choice-26.blogspot.pt/2018/02/onde-esta-o-teu-telemovel-aqui-teu.html

    Beijinhos :D

    ResponderEliminar
  11. Fiquei triste pelo Diogo Piçarra ter desistido, gostava muito da música dele! :)

    amarcadamarta.blogspot.pt

    ResponderEliminar
  12. O meu TOP 4 é 'O Jardim' cantado pela Claúdia Pascoal, era a 'Canção do Fim do Piçarra, (sem título) do Janeiro e 'Para sorrir eu não preciso de nada' cantada pela Catarina Miranda. Quanto ao Piçarra, eu acredito que não seja plágio, não tinha lógica o ser, no entanto a melodia é mesmo muito parecida e por toda a polémica causada penso que ele fez bem em desistir, pois era provável que isso nos prejudicasse na Eurovisão e principalmente que o prejudicasse mais a ele :/

    Beijinho,
    santiago | facebook | instagram

    ResponderEliminar
  13. Também fiquei muito triste com a notícia da desistência do Diogo Piçarra, a música dele foi bestial, arrepiou-me do início ao fim. xD
    Para ganhar as minhas favoritas são o 'Para sorrir eu não preciso de nada' cantado pela Catarina Martins; 'O Jardim' cantado pela Claúdia Pascoal; a do Janeiro ou ainda "O Voo das Cegonhas" cantado pela Lili.

    Que ganhe o melhor xD

    ResponderEliminar
  14. Olá boa tarde.
    Eu não sabia que existia esse festival, confesso que tenho aprendido muito quando entro aqui, seu blog é muito rico em cultura. Adorei o post e adorei saber, bjocas.

    ResponderEliminar
  15. Tenho no Reino as respostas às tuas perguntinhas... ;)

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

    ResponderEliminar
  16. Que maximo arrasou na postagem e esse festival deve ser show,
    obrigado pela visita.
    Blog:https://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/
    Canal:https://www.youtube.com/watch?v=DmO8csZDARM

    ResponderEliminar
  17. Eu confesso que não acompanhei e infelizmente, ouvi a canção do Piçarra exactamente pela polémica instalada, mas adorei! Não a achei muito parecida sequer confesso...

    THE PINK ELEPHANT SHOE

    ResponderEliminar
  18. Confesso que já estou a ficar cheia de festival com tantas polémicas À mistura!

    Bjxxx
    Ontem é só Memória | Facebook | Instagram

    ResponderEliminar
  19. Pena o Diogo Piçarra ter desistido.
    Continuação de uma excelente semana
    Bjs

    ResponderEliminar
  20. Fiquei triste com a polémica que se instalou existe pessoas tão mesquinhas, o Diogo é um cantor dos grandes compreendo a sua desistência e o porque de a fazer tão como ele diz já não é a música, parabéns pelo teu texto para ele enquanto artista.
    http://retromaggie.blogspot.pt

    ResponderEliminar
  21. toda a polémica foi tão tolinha! sim, a música era praticamente igual mas oh porra, que estupidez!!! eu gosto da música do janeiro, da música do júlio resende e da catarina miranda e gosto do "voo das cegonhas" :)

    ResponderEliminar
  22. Confesso que não tenho acompanhado o festival, mas ouvi a música e achei-a bastante suave e bonita. O Piçarra tem mesmo um grande potencial.
    «Acham mesmo que um artista em ascensão como ele iria deitar tudo a perder?» Não poderia estar mais de acordo. A música é realmente bastante parecida, no entanto, acredito que só se ele fosse muito burrinho iria prejudicar-se. Já alcançou tanto por este país fora, que não seria de todo inteligente da parte dele fazer tal coisa, ainda por cima, tendo o talento que tem.
    No entanto, percebo a justificação dele e acho que foi um senhor ao retirar-se e a não alimentar mais esta confusão toda, mas eu se estivesse no lugar dele não desistia. Estando "inocente", sendo um original meu e de consciência tranquila como penso e acredito que ele esteja, não desistia. Mas pronto, são razões válidas, foi uma opção dele e demonstra grande humildade. É uma pena.

    ResponderEliminar
  23. Se vi o festival em todos estes anos, foi uma vez e não foi por completo. Infelizmente, o Diogo Piçarra acabou por sair, o que foi uma pena. Mas acho que quando se envolvem coisas que deixam de ser música e acima de tudo, verdade não há nada a fazer. Ele fez muito bem. Beijinhos

    ResponderEliminar
  24. Acho que já te disse isto noutros anos e que já sabes, mas relembro-te que sou como tu e sempre acompanhei desde que sou pessoa!
    Como deves imaginar, todas essas emoções em relação ao Diogo também as passei.
    E quando vi o que ele escreveu sobre a sua desistência levei um murro, chorei e depois finalmente percebi e disse a toda a gente o quanto tudo isto provou o Senhor que ele é. Um ser humano incrível. Ele não precisa de nada disto, verdade seja dita. A emoção que se deve ter neste e com este festival foi garantida com ele, mas naquele momento deixou precisamente de ser música.
    Falo dele cada vez mais de boca, e coração, cheios!

    ResponderEliminar