Alta Definição #2



«Eu sou tudo o que vivemos, mais o que deixei por viver. Sou a soma dos anos, dos risos e das angústias. Não posso ser o que fui quando não sou o que era. Nem tu podes querer que eu seja a pessoa que tu gostavas que fosse».


Sou genuinamente feliz em muitos momentos, porque acho que sempre aprendi a dar importâncias às pequenas coisas, sobretudo quando tenho as minhas pessoas comigo. Entrar na faculdade, ver e estar pessoalmente com os artistas que admiro, quando soubemos que a minha avó podia sair do hospital para vir passar o Natal a casa, o S. João em família... São situações assim que me deixam nesse estado de felicidade plena. Mas talvez recorde duas datas, completamente distintas, mas ambas no mesmo ano, com especial carinho: uma por ter sido a realização de um sonho de miúda, outra por ter mudado a minha vida para sempre. 

02.09.2007: Cresci a ver o Quaresma jogar. Não é segredo para ninguém que rapidamente se tornou o meu número um, independentemente de puderem concordar comigo ao não. É inexplicável aquilo que sinto quando o vejo a tocar na bola. De numa arrancada deixar três adversários para trás. Aquele ar de menino irreverente, capaz de resolver um jogo sozinho, fascina-me, sobretudo porque sei que, por trás de tudo isso, está alguém que sente o emblema que veste e que se dedica de corpo e alma.  Tem um talento que ainda hoje não sei definir. Porque joga com o coração nos pés. E porque, acima de tudo, é feito de uma garra que só os verdadeiros Guerreiros têm a correr-lhes nas veias. Nunca vi ninguém a jogar como ele. Com tanta classe, com tanta magia, com tanta vontade, com tanto amor. Talvez minta. Talvez consiga adicionar mais uns nomes. Mas nunca ninguém como ele, de quem terei sempre o maior orgulho. Poder, ao fim de tanto tempo de admiração, estar com ele foi, sem dúvida, dos melhores momentos da minha vida. Nunca me esquecerei dos nervos que me invadiram, das palavras que ficaram por dizer, da tua disponibilidade e simpatia, daqueles dois minutos que me pareceram muito mais do que isso. É o dia dois mais bonito que conheço. Até ao fim da minha vida.

05.11.2007: O dia em que a minha vida mudou para sempre. Ter o meu afilhado nos braços é daquelas imagens que nunca apagarei da memória. E muito menos do meu coração. E não esqueço o medo que foi pegar nele por ser tão pequenino e frágil, parecendo que se ia desmontar a qualquer instante. Mas depois de o olhar e de o ver tão sereno apetecia-me ficar assim para sempre. Com ele no meu colo, para o proteger. Foi naquele exato momento que senti que as responsabilidades iam mudar, que mesmo com 15 anos tinha que ter maturidade suficiente para estar lá em todas as vezes que precisasse de mim. Vê-lo crescer fez-me crescer a mim. Afilhado, em sentido figurado, significa protegido. E eu irei protege-lo sempre de tudo o que puder, deixa-lo cair quando for preciso, mas logo a seguir estender-lhe a mão e ajuda-lo a levantar; deixá-lo chorar e logo a seguir limpar-lhe as lágrimas ou fazer-lhe cócegas até que ria às gargalhadas; chama-lo à atenção, mas logo a seguir enche-lo de beijos e abraços. Quando o puseram nos meus braços senti tudo isto a passar-me pelo coração. O meu mundo estava ali, a dormir, agarrado à minha camisola. E a paz daquele momento moldou-me. Nunca mais me largou. E é das melhores coisas que tenho na minha história.   

Fui genuinamente feliz ontem. E amanhã vou dizer que o fui hoje. Porque não há um dia que sinta que não tenho razões para o ser. Muito pelo contrário, tenho todos os motivos do mundo. E sei que será assim até ao dia em que a minha viagem chegar a fim. 

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17 comentários

  1. Honestamente, acho que o Quaresma já foi melhor jogador, ou é o comportamento dele nos últimos tempos que não deixa ver com clareza as suas capacidades. Como tu, também posso dizer que ter um afilhado (no meu caso afilhada) nos braços e olhar para aquela alma pequeninha e desprotegida é das melhores coisas do mundo!

    MORNING DREAMS

    Sofia Silva

    Beijos*

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  2. Tu realmente és maravilhosa a escrever.
    É mesmo engraçado... eu senti o mesmo que tu quando peguei, pela primeira vez, na minha afilhada. É um sentimento tão distinto que, para além de podermos ser pais, toda a gente deveria saber como é podermos sentir que somos padrinhos de alguém. E, pelo que li, és uma madrinha e peras!
    Um grande beijinho!

    P.S.: O livro que estás a ler é divino! Adorava poder lê-lo, pois apaixonei-me pela história desde o dia em que fui ver o filme. :0

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  3. Acho que foi quando o meu principe me pediu em casamento.... Mas já não sou genuinamente feliz à muito tempo.

    Bjxxx

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  4. Sou genuinamente feliz todos os dias. Quando, ainda que por ortina, me despeço das minhas filhas antes de dormirem e elas dizem que me amam!

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  5. adoro Adoroooo
    olha eu, fui geniunamente Feliz na vespera do meu 1 dia de aulas quando conheci a minha melhor amiga
    17 de julho 1999 quando a minha prima nasceu e me senti como uma irma mais velha
    no dia 4 Maio 2009 quando o meu gatinho veio para minha casa
    2 Setembro de 2011 quando comecei a namorar
    7 Janeiro 2014 quando nasceu a minha prima mais pequenina e me senti como uma Tia Babada

    eu estou bem meu anjo e tu? Axas k podemos ser amigas no Face? Axo k n somos ainda =D e gostava mt
    BTw tou a concorrer a um concurso de Beleza, se poderes\quiseres podes deixar me um Gostozinho?
    https://www.facebook.com/datereza/photos/a.530002453794555.1073741848.269550663173070/531998980261569/?type=1&theater

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  6. Mas esse sentimento de culpa também nos faz crescer.

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  7. Nossa, muito difícil definir felicidade...

    Bjos, gata!

    chuvadecamelias.blogspot.com.br

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  8. Considero-me uma pessoa genuinamente feliz com momentos pontuais de tristeza, saudade ou outros sentimentos associados geralmente com coisas menos simpáticas. Momentos de felicidade que me marcaram a vida, por outro lado, não posso dizer que tenham sido imensos...mas gosto de olhar para trás e ver a alegria que pequenas coisas me deram e isso são sentimentos que ninguém me tira...por vezes uma nota na parede vale mais que conhecer um artista rock ^^

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  9. O dia em que a minha afilhada nasceu também foi um dia muito feliz para mim!
    Adoro este desafio, desconhecia...

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  10. Acho que acabo por ser verdadeiramente feliz todos os dias. Mesmo com todos os problemas que temos soltamos um sorriso, sonhamos um pouco. Percebi isso quando fiz o desafio "100 Happy Days". Ter que olhar para os meus dias e procurar um pedaço de felicidade fez-me valorizar as coisas mais pequenas que às vezes ignoramos. Nunca mais as ignorei. Sou feliz todos os dias. E tenciono continuar a ser.

    Ainda bem que também és uma pessoa feliz! Nota-se pela forma como escreves, pelo teu sorriso nas fotografias. Nunca deixes de ser assim :)

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  11. estou a recomeçar o meu blog com algo novo, e gostava muito de ter a tua opinião para saber o que achas disso mesmo, se pudesses passar por lá e dar-me a tua opinião adorava, beijinho e obrigada.

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