«Arranque de luxo!»


«Entrou com o pé direito na fase qualificação para o Campeonato da Europa a seleção sub-21 de Portugal. A equipa de Rui Jorge venceu a congénere da Noruega com números expressivos, apesar de ter estado em desvantagem no marcador. Betinho, Ivan Cavaleiro, Sérgio Oliveira, William Carvalho e Ricardo, apontaram os golos da equipa das quinas. Bom arranque da equipa portuguesa, com um resultado que certamente trará confiança e motivação para as hostes dos jovens lusos. Três golos na primeira parte e mais dois na etapa complementar carimbaram o resultado final. 
Perante mais de dez mil espectadores a equipa de Portugal reagiu bem ao golo inaugural da equipa da Noruega e partiu para uma exibição segura e tranquila, com o expoente máximo no ataque com golos para todos os gostos...» (ler artigo completo aqui)





As bancadas do Estádio Cidade de Barcelos não estavam totalmente cheias, mas quase. A união que se fazia sentir e a esperança de ver «os miúdos» a começar bem eram comuns a todas aquelas pessoas que, mesmo sem se conhecerem, durante noventa minutos gritaram a uma só voz. Agora silêncio. «A Portuguesa» quer fazer-se ouvir. 

Há algo no nosso Hino que me comove. Arrepia. Ainda para mais quando um estádio cheio (ou quase) se junta num abraço infinito e o canta com alma. Só faz sentido cantá-lo assim, com os nossos, com os que nos representam dentro de campo, com toda a nossa garra e esperança. Serei sempre suspeita, assim como todos os portugueses, mas o nosso Hino é o mais bonito. Será sempre! E por mais vezes que o ouça nunca me cansarei. Era impossível. E será como se o ouvisse pela primeira vez em todas essas vezes. Se a juntar a isso podermos contar com a glória imposta pelos nossos, que se agigantam quando o jogo começa, ainda melhor.   

Há Guerreiros em todo o lado, em todas as profissões e de todas as formas. Estes Guerreiros vestem-se de vermelho e verde e de t-shirt e calções. E têm uma vontade imensa de conquistar o mundo. É que também se conquista o mundo através do futebol, que será (ou deveria ser) sempre um momento de festa, de união e de quebrar barreiras. Quando joga a seleção não há clubes nem há ódios de estimação, e sofremos todos juntos. Depois do jogo acabar voltamos ao mesmo, aos clubes, aos ódios, aos dissabores individuais. Mas durante noventa minutos (pelo menos) as únicas cores que vestem o país são as da nossa bandeira. E os únicos cânticos que se entoam são de apoio a Portugal. 

Os «miúdos» arrancaram bem. E com isso arrancaram aplausos das bancadas, a famosa onda e um estádio em euforia. Talvez o entusiasmo dos adeptos tenha embalado a nossa seleção, talvez lhes tenha dado ânimo e ainda mais força para iniciarem com o pé direito. Ou com o esquerdo. Dependendo da preferência do jogador. O certo é que, coordenações à parte, de pé direito ou de esquerdo, foram cinco. E mereciam sempre mais. 

«Apesar de terem entrado melhor na partida, os comandados de Rui Jorge sofreram um golo em contra-corrente ainda nos instantes iniciais do jogo». E apesar de ter sido através de um penálti que não o era (a falta foi fora da área e não dentro), a equipa lusa não se deixou abalar. Nem um beliscão no orgulho, na esperança e na atitude. Mesmo em desvantagem, a determinação não esmoreceu, e a prova disso é que em cinco minutos deram a volta ao resultado. A partir daí foi vê-los a elevar a fasquia. Quer do resultado, quer do talento. E pouco importou se o adversário era a vice-campeã europeia, pois os jovens portugueses encheram-se de brio e encararam os noruegueses de frente, sem medos, como sempre nos habituaram os grandes jogadores. 

Foi mesmo um arranque de luxo, não só pela goleada que invadiu o Estádio Cidade de Barcelos, mas também pela preocupação de jogar em equipa; onde todos se destacassem pela qualidade que imprimiam ao coletivo. Porque uma equipa é isso: o coletivo. Haverá sempre um jogador que se destacará mais que os outros, mas um grupo nunca será um jogador só, até porque para esse brilhar precisa que os restantes sigam o mesmo caminho. E isso trabalha-se, sente-se, melhora-se. E esta equipa, que terá sempre um caminho promissor e margem para progredir (porque os melhores superam-se sempre), é tudo isso: um grupo que trabalha pelo grupo e não pelo ego. 

Os «miúdos», que a nível de talento estão longe de o ser, deram uma lição de humildade e de como jogar futebol. E é pena que também eles não tenham direito a uma transmissão especial a partir das seis da tarde, nem comentários prévios em jeito de análise, nem se acompanhe a chegada do grupo ao estádio. É pena que estes jovens cheios de talento não tenham o destaque que merecem (e se com eles é assim, com as camadas mais jovens ainda pior). Mas eles continuam iguais a eles próprios, fortes, determinados, com garra, rumo a um único objetivo: vencer. Sempre!

Mesmo quando as luzes da câmara não estiverem apontadas para eles, eles continuarão a fazer história. E a chegar longe. E muitos destes Guerreiros, um dia, serão o futuro da nossa seleção A. Talvez aí recebam a atenção que merecem desde sempre. Mas até lá, continuarão a dar cartas com os pés, a encher estádios e a arrancar ovações. Talvez eles só precisem mesmo de jogar à bola. Talvez sejam mais felizes assim. E talvez por isso a concentração seja outra. É que há uma maior preocupação com o espetáculo dentro das quatro linhas do que com o espetáculo que se passa fora delas.   

Quando o apito do árbitro indicar o final da partida, a imagem panorâmica será a de um estádio ao rubro, mesmo quando a sorte não os proteger. E quando as luzes se apagarem ainda seremos capazes de ouvir os aplausos, os festejos e o nosso hino. Mesmo que não tenham direito a emissões especiais, os «miúdos» continuarão a crescer, a vencer e a conquistar o mundo. É que as vitórias conquistam-se dentro de campo, com suor, com lágrimas, com raça, com ambição, com querer e com amor. E eles têm tudo isso.

A história faz-se de sonhos, mas a glória faz-se de concretizações. E no fim, quando nos pedirem para recordar tudo isto, ninguém se irá lembrar se o jogador levava óculos azuis ou dourados, ou se chegou de calças ou calções. Não! Quando nos pedirem isso, todos falaremos do mesmo: dos passes, dos cruzamentos, dos golos marcados e dos que ficaram por marcar, das fintas, das faltas, dos festejos. E tudo o resto, tudo o que é exterior, ficará no esquecimento. 

Só não nos esqueceremos dos jogadores. E das vitórias. E dos «miúdos» que chegaram longe! E agora de pé (porque é assim que aplaudo os gigantes) e com o coração cheio de orgulho (pela classe com que defendem o nosso emblema) vejo-os sair do relvado (ainda que apenas os veja pela televisão), com uma goleada no resultado e mais um passo dado para a conquista do sonho. E por entre sorrisos e aplausos combinamos um novo encontro para terça-feira. Porque estes «miúdos», devagarinho, sem pressas, com muita inteligência e capacidade de superação, ainda vão dar muito que falar. Em Portugal. E no mundo!

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5 comentários

  1. ' Ao dares-me força já me ajudas muito e acredita que as tuas palavras ajudam. Sim é verdade para quem esta de fora é sempre mais fácil, para mim está a custar me imenso , as vezes doi demais amar alguém. mas tudo se vai resolver pode não ser como eu espero, mas o tempo vai me ajudar a ultrapassar seja o que for. Obrigada mais uma vez *

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  2. Olá!! Desculpa, há muito tempo que cá não vinha... só consegui arranjar tempo agora para te responder.
    Acredita que eu tenho muito amor pela minha cidade, também sou do Porto, não do centro, sou da Maia... mas a minha admiração vai para o Benfica pois, como já tinha dito, fui educada a "amá-lo".
    E verdade seja dita! O futebol só tem piada se houverem destas rivalidades, porque senão os futebolistas não teriam tanta garra naquilo que fazem. É preciso haverem rivais para conseguirmos evidenciar o amor e o orgulho que temos no que é nosso. :)

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  3. Onde achas que poderia expandir mais a Disney ?
    Realmente, é verdade, não podemos agradar a gregos e troianos. Embora, ele tenha tentado agradar a ambos. Walt Disney apesar de tantas controvérsias irá sempre ser lembrado mais pelas suas criações do que outro tipo de polémicas, felizmente.
    Vou seguir este blogue, por acaso, parece ser recente.
    Admito que ultimamente, não seja muito adepta da seleção portuguesa. Irei apoiá-los mas preferia o futebol que praticavam no tempo do Scolari.

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  4. Em relação ao teu comentário: eu concordo com tudo o que dizes. É tudo bem verdade. Mas eu não sou como tu, não confio nas pessoas com tanta facilidade. O problema é que, mesmo assim, vemos os amigos que tentamos escolher tão cuidadosamente a ir-se embora. E sim, magoa imenso. Mas com o tempo passa, demora mas passa.
    Obrigada pelo teu comentário, é bom saber que lês o meu blog. E desculpa por responder tão tarde.

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