1+3 | Medo[s]

Fotografia da minha autoria


«Tudo o que você quer está do outro lado do medo»



Os nossos medos podem ser encarados como fraquezas, porque têm, muitas vezes, o poder de nos derrubar e de nos impedir de ultrapassar barreiras - impostas pela sociedade ou por nós. Porém, este estado emocional também preserva um lado encantador, uma vez que nos desperta os sentidos, deixa-nos alerta e provoca-nos uma vontade inexplicável de avançar com um maior sentido de compromisso - atendendo que agimos com maior ponderação. E ainda que nos façam sentir inseguros, no fundo, precisamos destes medos, porque são o maior indício de que a nossa vida permanece em movimento.

Defendo que as pessoas só vão até onde as permitimos ir. E com o[s] medo[s] é igual. A nossa determinação deve ser mais forte, mas nem sempre conseguimos controlar essa reação, pois depende do contexto e da nossa predisposição. Seria muito fácil se os combatêssemos com rapidez, mas talvez eles subsistam - ou renasçam - para nos relembrar que não nos podemos conformar. E é por essa razão que procuro, ao máximo, seguir em frente, mesmo que a minha confiança seja comprometida por sensações inquietantes e vozes irritantes, que me tentam mostrar - e fazer acreditar - que era muito mais seguro não arriscar e permanecer na minha bolha. Este caminho é, portanto, longo, pelos seus constantes avanços e recuos, mas uma coisa é certa: haverá sempre um novo medo para controlar!

Um cuidado que tenho é esforçar-me por equilibrar a maneira como observo os meus receios: não os engrandeço, colocando-os num pedestal, nem os ignoro, ao ponto de achar que não necessitam de ser trabalhados. Por isso, neste processo introspetivo e reflexivo, sei que os transformo num aliado. E que tenho medos mais secretos e outros que não o são: tenho um medo irracional de barulhos noturnos que não consigo identificar. Tenho medo de aranhas, de abelhas e de rastejantes. Tenho medo da solidão profunda. Tenho medo de entrar num qualquer espaço negro da minha alma e de não sair. Tenho medo que a minha vida estagne, não conseguindo alcançar o que mais ambiciono. Tenho medo de andar de mota [e nunca andei, porque não me transmite estabilidade]. Tenho medo que a minha timidez me atrase. Tenho medo de não ter tempo de dizer aos meus o quanto significam para mim. Tenho medo de andar sozinha à noite. Tenho medo de aprender a conduzir [por variados fatores]. Tenho medo de falar em público [mas faço-o]. Tenho medo de ser educadora de infância [e de não representar o suporte que o grupo precisa], mas também tenho medo de nunca o vir a ser. Ainda tenho um ligeiro medo de foguetes. Não tenho medo de falhar, mas tenho medo de desiludir. E tenho medo de me perder de mim, porque seria um golpe bastante duro de superar.

A minha postura perante a vida é influenciada por uma energia de positividade, que faço questão de fomentar diariamente. Nesse sentido, aprendi que, mesmo com receio, não posso parar; tenho que encontrar - ou construir - mecanismos para continuar. Porque do outro lado da porta pode estar a minha meta. E caso não esteja, certamente, descobrirei um caminho alternativo, que me proporcionará oportunidades únicas. E é no exato momento em que o medo me gela, que respiro fundo e repito, numa espécie de mantra, que tudo passa - até as coisas realmente más - e que serei capaz de vencer qualquer batalha. E, se cair, arranjarei forças para me reerguer. Assim, tento colocar os meus medos - quase sempre resultantes de inseguranças pessoais - dentro de uma caixa, para que não me travem. Quando deitar a minha cabeça na almofada, quero sentir que fui capaz. E a perspetiva de não o ser é, porventura, o meu maior medo. Porque coloca em causa tudo o que sou - sozinha e em comunidade.


[Publicação inserida no desafio 1+3]

31 comentários

  1. Bom dia:- Posso ser atrevido?.... só tenho um medo: Um dia conhecer a autora deste blogue. Acho-a simplesmente espectacular, principalmente ao nível de inspiração e imaginação...
    .
    * Ilusórias noites de amor *
    .
    Deixando um abraço

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    1. Pois bem, Gil, não tenho um medo de conhecer a autora deste blogue, até é provável que um dia a conheça, porque o coração dela pertence ao Porto como o meu.

      Concordo absolutamente contigo, a Andreia é simplesmente espectacular ao nível de inspiração e imaginação.

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  2. Todos nós temos medos, e revejo-me nalguns desses.
    O medo de tirar a carta, já o tive, e só passou quando comecei a conduzir, claro que tenho sempre medo principalmente de atropelar alguém ou um animal, e fico sempre de coração na mão quando tenho de travar de repente.
    Mas os medos faz parte de cada pessoa. :)

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  3. Compreendo bem os teus medos e receios porque também há os tive e tenho em relação a conduzir, sei que vou conseguir mas para já não me faz falta. Já andei de Mota desde os 7 anos mas agora não tenho vontade nenhuma de o fazer. É aos nosso medos que vamos buscar forças para seguir em frente.
    Tambem já tenho este post preparado para ser publicado. ;)
    Bjinhosss
    https://matildeferreira.co.uk

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  4. Todo o desconhecido nos provoca algum tipo de medo, mas se a humanidade não tivesse vencido a barreira do medo do desconhecido, hoje estarias a escrever este texto com um escopro e um martelo, sobre pedra.
    Creio que é mesmo o medo que nos "atira" para a frente. Aquele medo que nos faz experimentar novas aventuras, que nos deixa fascinados com as alturas e com as montanhas-russas da vida.
    Ultimamente um dos meus medos é a solidão e a dependência na velhice. Por isso escrevi outro dia que gostava de vencer o medo e ter a coragem de chegar ao cimo da ponte, parar o carro e saltar. Como gosto das alturas, pode ser que um dia vença o medo e dê, não o passo, mas o salto para a eternidade, sem ter de passar pela parte mais assustadora da vida...

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  5. Boa tarde!
    Adorei o texto. Não sou do Porto, mas já passei nessas ruas M de vezes. Parabéns pela inspiração!!

    Beijo e um excelente fim de semana

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  6. Compartilho contigo alguns desses medos. O medo é algo que todos temos mas é esse mesmo medo que nos faz ter novas experiências!

    Beijinhos,
    Dicolored Winter

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  7. Olá
    Eu tenho medo de um terramoto, a sério, fico impressionada com vejo imagens da devastação provocada. E tenho horror a sapos!!
    Os outros medos que tenho acho que são mais inseguranças minhas.
    xoxo

    marisasclosetblog.com

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  8. Oh nem sei que te diga, mas posso dizer que os mais medos que tenho é tirar a carta de carro visto que o medo de conduzir um carro e acontecer algo quando estiver sozinha
    mas claro que dentro de nós há sempre alguns medos que temos
    Beijinhos
    Novo post // CantinhoDaSofia /Facebook /Intagram
    Tem post novos todos os dias

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  9. Linda foto! Acho importante ficar sempre atento para não deixar os nossos medos nos paralisarem. Como você mesmo disse no texto, não os engrandecer, mas também tomar o cuidado de não os diminuir.
    Um beijo querida :*

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  10. Os medos são uma forma de superação e de tentarmos sair da nossa zona de conforto.

    Partilho contigo o medo dos foguetes e o medo de aranhas. Acrescentaria: medo de ter cancro, medo da opinião que os outros possam ter de mim.

    Beijinhos :*

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  11. «E ainda que nos façam sentir inseguros, no fundo, precisamos destes medos, porque são o maior indício de que a nossa vida permanece em movimento.» Tão verdade!
    Todos temos medos e quem disser que não tem, mente. Ter medo é totalmente válido, afinal o que o mundo tem de surpreendente, também tem de desconhecido e esse, assusta.
    Mais uma vez, identifico-me muito contigo e com a tua forma de ver e viver com os teus medos. Acho que o caminho é esse mesmo, aprendermos a viver com eles, não lhes dando a maior importância, mas não os ignorando. O importante é não deixarmos de ir em frente, de arriscarmos, de nos conhecermos e fazermos por viver da melhor maneira possível :)
    Como foi bom e inspirador ler a tua participação sobre este tema :)

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  12. Tenho um medo incontornável de foguetes e de cães, mas creio que estes são importantes porque são uma forma de nos superarmos :p

    amarcadamarta.blogspot.pt

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  13. Que os teus medos nunca sejam maiores que a grande pessoa que és, mereces tudo de bom e que nada nem nenhum medo te prenda! :)

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  14. r: Foi sem dúvida alguma eheh. Tento ao máximo dar o meu melhor!
    Custa-me muito que assim seja, mas sinceramente não posso fazer muito mais, as coisas chegaram a um ponto que falamos o mínimo dos mínimos e... por mail! Enfim...

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  15. r: Eu também nunca tinha andado, mas confesso que não gostei muito como podes ter reparado ahah.
    Acho que fazes muito bem em experimentar, é sempre bom experimentar coisas novas :)
    É sem dúvida uma cidade maravilhosa, adorei estar por lá :) A sério? Nem sabes o quanto fico contente por me dizeres isso! Depois diz-me se ele está bem de saúde (e, se não for pedir muito manda-me uma foto eheh)

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  16. Tenho medo porque sou medroso,
    por isso é que não me aventuro
    nalguns sítios pode ser perigoso
    seja de dia ou de noite no escuro!

    Andreia, gostei desse texto por você bem escrito. Tenha um fim de semana bem ao seu gosto.

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  17. "A minha postura perante a vida é influenciada por uma energia de positividade, que faço questão de fomentar diariamente. Nesse sentido, aprendi que, mesmo com receio, não posso parar; tenho que encontrar - ou construir - mecanismos para continuar. Porque do outro lado da porta pode estar a minha meta." TÃO TÃO TÃO VERDADE!!!!

    r: há montes de arroz doces que também não gosto por serem muito líquidos ou por saberem muito a leite, mas quando o arroz doce é bom... MEU DEUS!

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  18. Deu para perceber que temos posturas idênticas no que diz respeito a este assunto!

    Bjxxx
    Ontem é só Memória | Facebook | Instagram

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  19. Para já, amei a foto *.* Em segundo, quero dar-te os meus parabéns porque escreves realmente muito bem, também quero *o* É tão bom conseguires ser assim! Colocares os medos numa caixa e avançares! Eu vivo um pouco (grande) com falta de confiança e, muitas vezes, falta-me fazer isso...
    Beijinhos,
    Blog An Aesthetic Alien | Instagram | Facebook
    Youtube

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  20. Que bonito texto. Por vezes temos de lutar contra os nossos medos para ultrapassa los
    https://retromaggie.blogspot.com

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  21. ;)

    Ultimamente meus maiores medos são internos... E anda tão difícil de passar por eles! Seu texto me fez pensar que talvez eu esteja levando eles a sério demais.

    Ótima sexta!

    Beijo! ^^

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  22. Estou contigo nas aranhas... e também no pensamento positivo,no ultrapassar e dormir sabendo que fiz o que conseguia...

    Beijinhos

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  23. Recomendo aquele sabonete! ;)

    Ótimo sábado!

    Beijo! ^^

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  24. Vou acreditar! ;D

    Ótimo sábado!

    Beijo! ^^

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  25. O medo muitas vezes impede-nos de seguir em frente...
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  26. Engraçado, o facto de teres optado por falar sobre a tua relação com o medo em vez de os enumerares como muita gente fez. A minha abordagem ao tema também vai ser sobre a minha relação com o medo, embora a minha estratégia em relação ao mesmo seja ligeiramente diferente da tua (não o ignoro, como tu, mas também não o coloco numa caixa, dou-lhe o espaço que quiser, só não deixo é que tome as decisões por mim).
    Também tenho medo de conduzir, ando a aventurar-me nisso este verão, mas vai tudo correr bem, tenho que acreditar :).
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  27. Ainda hoje estava a pensar no que iria escrever para o blogue e pensei em escrever precisamente sobre este tema: o medo. Falaste bem dele!
    Por mais que se seja uma pessoa positiva, há sempre aqueles medos que guardamos, às vezes nem os classificamos como medos...mas todos nós os temos. Há sempre pelo menos um. É tão difícil eliminá-los


    http://atualidadesbyclaudia.blogspot.com/

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  28. São os medos que nos impelem a seguir sempre em frente. Apesar de por vezes nos agarrarmos a eles são eles também que nos dão coragem!

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  29. É o enfrentar o medo que nos torna corajosos, que nos motiva a fazer algo que ao fim ao cabo irá ser prazeroso! Eu admiro o medo por me fazer ser corajosa,por me mostrar aquilo de que sou capaz, por me mostrar que não há impossíveis, por mais que a voz na minha cabeça me diga "não vás, não faças, não tenho coragem" eu consigo!! Não há nada mais satisfatório que superarmos as nossas próprias barreiras.
    Viva o medo, e viva o não ter medo de o enfrentar!

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