1/4 de século: Momentos

By Andreia Morais - abril 13, 2017

Imagem retirada do google

A nossa vida é cheia de momentos. Quando vos convidei para sugerirem tópicos para abordar nesta semana temática, a Ana Ribeiro [Escreviver], a quem agradeço desde já, lançou-me o repto de escrever sobre o momento mais especial destes (quase) 25 anos. É sempre complicado selecionar, por isso optei por alargar o leque a outras dimensões e catalogar alguns acontecimentos. E é assim que abro o meu álbum de memórias.

Momento mais especial: O nascimento do meu afilhado.
Quando a minha comadre anunciou a segunda gravidez eu estava longe de imaginar o que me esperava! No dia em que me perguntou se aceitava ser a madrinha, a minha resposta foi um sim óbvio, apesar de, naturalmente, o receio de não estar à altura da responsabilidade se ter feito sentir. Tinha 15 anos e a noção clara de que o meu percurso ficaria mais enriquecido. Não sei descrever a emoção de pegar no meu afilhado pela primeira vez. O sorriso era largo e as lágrimas turvavam-me o olhar. Senti uma paz tão boa, como se nada mais existisse para além de nós. Era tão pequenino, tão frágil, e eu só queria garantir que não o magoava, que o protegia convenientemente nos meus braços. Perdi o único registo fotográfico que a minha mãe conseguiu tirar naquele momento, mas sei que nunca me esquecerei daquela imagem. Da mão agarrada à minha camisola. Da cabeça encostada ao meu peito. Da respiração tranquila. Naquele dia, peguei no meu mundo ao colo. E ficaria para sempre naquele quarto de hospital a absorver e a partilhar todo o amor que cresceu em mim mal vi o meu pestinha predileto. 

Momento embaraçoso: Contacto aproximado com o chão.
Quinto ano, primeira semana de aulas. Estava no exterior da escola quando ouvi a campainha. E como não queria chegar atrasada comecei a correr. Levava a mochila à tiracolo e com a força da corrida ela girou para um lado e eu para o outro. Resultado? Caí, mesmo à vista de todos. A risota deve ter sido geral, mas levantei-me tão rápido como caí e saí dali a correr para completar a minha missão.

Momento de realização: Entrar na faculdade.
Fiz a candidatura presencialmente, na reitoria da Universidade do Porto, e não fazia ideia de que enviavam um e-mail com o resultado. Um belo sábado [dia anterior a saírem as colocações], estava a sair para ir à missa e resolvi aceder à minha conta. Quando vi o e-mail na minha caixa de entrada não consegui reagir. Recompus-me. E assim que o abri e vi que tinha entrado na minha primeira opção comecei aos berros. Escusado será dizer que preocupei todos cá em casa porque não conseguia dizer mais nada a não ser o nome dos meus pais. Quando me acalmei, e lhes expliquei o que se passava, o ambiente foi de festa. No entanto, acho que só acreditei quando lançaram o resultados das candidaturas online.

Momento cómico-trágico: Família de férias.
Estávamos de partida do Cercal (Alentejo) para Évora. O meu pai ligou o carro e colocou uma cassete no rádio, mas não ouvíamos nada. Pensando que fosse do volume aumentou-o até ao máximo. Tudo na mesma, até que ouvimos um som que mais parecia uma explosão. Ninguém estava a contar com aquilo e a minha avó deu um grito capaz de acordar a vizinhança. Qual foi o problema? Para passar do lado A para o lado B da cassete há um compasso de espera. E a primeira faixa começa com uma batida forte. Isto não seria assustador se o volume não estivesse no máximo. Recompostos do susto, começamos a viagem, mas as peripécias não ficavam por aqui! Levava no meu colo uma boina cor-de-rosa com os meus bonecos preferidos [devia ter uns oito anos]. Ia tranquila, até que olho e vejo uma vespa a passear em cima deles. Paralisei e desatei a chorar a pedir ajuda. A minha avó matou a vespa e tirou-me a boina do colo para dar à minha mãe, que a sacudiu pelo vidro. O carro continuava em andamento e, nesse momento, a minha ovelha caiu. A minha mãe ainda me perguntou se queria que voltássemos para trás, mas com medo que qualquer outra vespa regressasse disse-lhe para não pararem. Hoje rio-me sempre que contamos esta história, mas na altura fiquei mesmo triste, até porque tinha sido uma prenda.

Momento traumático: Foguetes.
Esta situação aconteceu a um sábado. Não me recordo de muitos pormenores, apenas de que isto se deve ter passado pouco depois das 11h. A minha mãe tinha ido buscar-me à catequese e seguimos pelo caminho de sempre. Estávamos a passar um café e vi um senhor em cima de um muro com foguetes ao lado. Numa questão de segundos ouve-se uma explosão e ao olhar pelo vidro de trás do carro só consegui ver uma enorme nuvem de fumo. Os foguetes estavam presos e rebentaram, deixando o homem gravemente ferido e o muro completamente destruído. O meu carro e o que vinha imediatamente atrás passaram no exato momento da explosão. Felizmente, não houve despistes e paramos em segurança. Hoje é mais tranquilo, mas durante muito tempo não conseguia ouvir fogo de artifício sem ficar assustada e bastante ansiosa. 

Momento de hesitação: Quando a vergonha ganha.
O Quaresma - para quem não sabe é o meu jogador favorito - morava muito perto da minha escola básica. Estava no intervalo com os meus amigos quando alguém me veio chamar a dizer que ele estava parado um pouco mais a baixo da escola. Fui confirmar e fiquei a olhar para ele, com os meus amigos a dizerem que era a oportunidade perfeita. Estava a morrer de vergonha e aquele impasse foi decisivo. Quando finalmente ganhei coragem, procurei a minha mãe [que trabalhava na escola] para me autorizar a sair. Aconteceu tudo muito rápido e assim que saio vejo o Quaresma a dar a volta para ir embora. Fiquei deprimida o resto do dia!

Momento azarado: Distensão de ligamentos.
Nas aulas de educação física, no secundário, tínhamos dança. Uma das tarefas propostas foi dividirmo-nos por grupos, escolher um estilo e preparar uma coreografia para apresentar e ensinar à turma. Estava bastante entusiasmada, porque adoro dançar, mas num dos ensaios fiquei com o pé preso ao chão ao tentar rodar a perna. Através desse movimento fiz uma distensão de ligamentos no joelho, o que me impediu de fazer a coreografia com o grupo.

Momento de estupidez: Calada sou uma poeta.
Na minha faculdade organizam-se anualmente os Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil, onde figuram alguns convidados especiais. Numa das edições, contamos com a presença do escritor Álvaro Magalhães. Tenho uma obra sua, que adoro, por isso resolvi levá-la para ele assinar. Quando cheguei à sua beira, pedi-lhe um autógrafo e ele perguntou-me o meu nome. O que é que lhe respondi? Obrigada. Se tivesse um buraco para me esconder era o que tinha feito!

Estes são alguns dos momentos que marcam os meus 24 anos. Quais são aqueles que vocês mais recordam?


Último dia para participarem no desafio aqui

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17 comentários

  1. Gostei de conhecer um pouquinho mais da blogger.

    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  2. Gostei muito de conhecer os teus momentos, adoro estes registos tao nossos :) Eu acho que tambem tenho um momento de foguetes mas o teu foi mesmo assustador, coitado do senhor, espero que tenha recuperado bem. Ah e acredita que tambem ja respondi Obrigada ao Nuno Markl, foi um fartote de gargalhadas boas hehe :D
    Bjinhosss
    https://matildeferreira.co.uk/

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  3. Até ser mãe o momento mais bonito para mim, mais feliz foi, exactamente o nascimento do meu afilhado no ano da graça de 1998. Foi também o segundo filho da minha comadre. E eu assisti ao parto!

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  4. Adorei todos :) Obrigada por teres escolhido a minha questão para começar.

    Beijinho grande! :*

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  5. A no que todas nós mulheres tivemos um afilhado antes de um filho
    Kis :=}

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  6. Gostei de ter ficado a saber de alguns dos teus momentos. Alguns deles bem hilariantes...
    Uma Páscoa Feliz, amiga Daniela.
    Beijo

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  7. Foi um post que serviu para a minha reflexão pessoal, também vou fazer assim uma listiha! Acho que faz todo o sentido :)
    - Adorei!
    with love, KATE 🖤

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  8. Que excelente iniciativa, foi bom conhecer um pouco mais de ti :)

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  9. Muito bom conhecer tanto de ti. Pois é evidente que aí está um resumo do que tu racional e sentimentalmente elegeste, a representação do mais tocante nesses anos. Cada palavra escrita por ti conterá muitos significados. Cada frase, dezenas de amostragens de teu temperamento, antes e agora, e de teu caráter, e de tua personalidade. Excelente. Un abbraccio, cara
    Luc

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  10. Adorei a publicação :)
    Gostei muito de conhecer mais sobre ti ^^

    Beijinhos
    O blog da Mó | Instagram

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  11. Gostei imenso destes teus episódios! Boa Páscoa princesa <3

    THE PINK ELEPHANT SHOE // INSTAGRAM //

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  12. Identifico-me tanto com o segundo e com o terceiro :)
    http://bloguedacatia.blogspot.pt/

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  13. Que iniciativa esplêndida Andreia. Compartilhar os momentos marcantes da sua vida; Adorei conhecer-te um pouquinho mais
    Uma feliz e abençoada páscoa
    Beijos

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  14. São histórias que vão, sem dúvida nenhuma, acompanhar-te o resto da vida! E que eu adorei ler! Quanto mais te conheço, ainda que só através do blogue, mais gosto de ti. És uma pessoa incrível :)

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  15. Adorei isto! Também quero fazer!
    A entrada na faculdade, responderia igualzinho a ti!

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