1/4 de século: Andreia Morais

By Andreia Morais - abril 10, 2017


«Sou um escritor atípico. Só escrevo porque tenho ideias. Sentar-me a pensar que tenho que inventar uma história para escrever um livro nunca me aconteceu e nunca me acontecerá. Necessito de algo que me sacuda por dentro e que se me agarre com força para que eu entenda que ali há qualquer coisa para contar», José Saramago


Seria um erro, já para não dizer pretensioso, tentar comparar-me a um génio como José Saramago. No entanto, optei por começar a minha caracterização com uma citação sua, porque muito daquilo que me define é a minha paixão pelas palavras; é a liberdade de pegar num lápis ou numa caneta e deixar a imaginação fluir, viajar por mundos que não conheço e chãos que talvez nunca venha a pisar. Ali, diante de um caderno ou uma simples folha, sou só eu alheada do mundo, construindo realidades paralelas onde me posso refugiar sempre que me parecer conveniente.

Tenho 24 anos e o gosto pela escrita acompanha-me desde muito cedo. Quando entrei para a escola primária já sabia escrever e tudo aquilo que envolvesse português fascinava-me. Só não me dedicava à leitura. O gosto pelos livros chegou bem mais tarde e hoje arrependo-me disso. Por falar em livros, independentemente da idade que tenha, O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry, será sempre a minha primeira escolha, pela história e mensagem fascinantes que nos transmite. É um dos clássicos da literatura infantil, mas acho que devia ser lido por todos, principalmente pelos adultos que com o passar do tempo perderam a criança que chegaram a ser. 

Sou filha única, mas sempre quis ter irmãos. E aqui a referência masculina é propositada. Não sei explicar bem a razão. Talvez seja por me identificar com o estilo prático e despreocupado que a maior parte dos rapazes tem; ou por adorar futebol e me ter considerado uma maria rapaz durante grande parte da minha, ainda curta, vida; ou, ainda, por sempre ter tido uma relação fantástica com o meu primo, que será sempre uma das minhas figuras de referência e uma das pessoas mais importantes. Nunca terei certeza quanto a isso, a única certeza que tenho é a de que os meus pais decidiram não ter mais filhos. Sem ressentimentos, ao longo do meu percurso conheci pessoas que ocupam muito bem esse lugar. Não são irmãos de sangue, mas sê-lo-ão sempre de coração, que é igualmente importante – talvez por ser filha única é que quero tanto ser mãe de, pelo menos, dois filhos (preferencialmente, um rapaz e uma rapariga, mas quanto a isso depois logo se vê). 

À medida que fui crescendo, em idade e maturidade, a altura ficou um pouco esquecida, fui compreendendo que a nossa vida é cheia de consequências que nos parecem fazer sentido. Nunca frequentei o infantário, aliás, sempre afirmei que o meu infantário foi a minha avó, e talvez por isso tenha começado a interessar-me por essa faixa etária. O facto de não ter tido um contacto direto levou-me a querer descobri-la e ao fazê-lo encontrei um mundo cheio de possibilidades. Houve um período, mais especificamente no sétimo ano, em que um professor conseguiu incutir-me o gosto pelo jornalismo e durante algum tempo pensei mesmo em enveredar por essa área. Mais tarde, já no secundário, e depois de ter colocado o jornalismo de parte, interessei-me por Educação Social. Na altura de me candidatar à faculdade, o meu coração esteve indeciso, não na instituição, porque a ESE sempre foi a minha preferência, mas no curso. Como diz a sabedoria popular, “não há amor como o primeiro” e naquele segundo decisivo deixei de ter dúvidas: Educação Básica tinha que ser a escolha, ou não dissesse desde pequena que queria ser escritora e educadora de infância. Hoje sei que não poderia ter ido por outro caminho. Quer dizer, podia, mas não teria o mesmo significado. E não posso avançar sem referir que tenho a sorte de ter uns pais que sempre me deixaram escolher e que em nenhum momento tentaram que seguisse um sonho que era deles e não meu. 

Relativamente a sonhos, há um que deixei escapar: o basquetebol. Por vergonha e falta de confiança, sempre achei que não tinha qualquer talento, por isso não valia a pena entrar para uma equipa. Não devia ter deixado que a insegurança levasse a melhor! Para terminar, referir apenas alguns pormenores: sou apaixonada pelo Porto e por música Portuguesa – o meu artista favorito é o inigualável Rui Veloso; adoro fotografar e dançar; o meu prato favorito é Arroz à Valenciana, se fosse um dia da semana seria segunda-feira, adoro as cores azul e verde e dispenso cor de rosa; faço coleção de dedais, adoro âncoras e gostava de fazer uma tatuagem; tenho um afilhado de nove anos, ando num coro de igreja e já fui acólita; observadora, gosto mais de ouvir do que falar, sou demasiado transparente e adoro que me tratem pelo apelido. 

Há muita coisa que quero fazer, muitos lugares que quero descobrir e muitas experiências que quero vivenciar. Se isto fosse uma entrevista para o Alta Definição e o Daniel Oliveira me perguntasse o que dizem os meus olhos, a minha resposta seria: “dizem que, mesmo com todas as quedas, não alteraria uma vírgula na minha história. E que quero continuar a crescer, sem perder a criança que ainda guardo em mim”, porque, tal como refere o Peter Pan, “All you need is faith, trust and a little pixie dust”!


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15 comentários

  1. Foi tão bom conhecer-te um pouco melhor! E temos tantas (mas tantas) coisas em comum!

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  2. Gosto da tua maneira de pensar ao 25 anos, identifico-me :) Estas no bom caminho, minha querida, continua assim ;)
    Muitos Bjinhosss
    https://matildeferreira.co.uk/

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  3. Adorei conhecer-te melhor e gosto da forma como olhas para a vida. Identifico-me.

    Beijinho grande e boa semana! :* <3

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  4. Partilho das opiniões anteriores foi realmente um prazer conhecer-te melhor.
    Um abraço e boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    Livros-Autografados

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  5. És uma excelente pessoa. É uma honra seguir-te!

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  6. Sim senhora! Conseguiste com que lesse todas as palavras do teu post. Gostei muito de conhecer um pouco mais de ti, da tua históra! Continua assim! Nunca esqueças é que os sonhos... são para ser vividos. Sabes disso! :D

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  7. és uma miúda engraçada, Andreia :) também+em comecei a escrever antes de saber escrever

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  8. Escreves bem sobre ti, gostei de ler. E eu também escolhi ed.social e depois é que foi ed. Básica...só gostava que deixassem de brincar com a nossa profissão para não sermos exploradas como são quase todas as educadoras...ainda a dias ouvi uma que enfim "torna-se curso oara ser educadora?!" Ok...vou acreditar que é mesmo ignorante.
    Kiss

    www.inspirationswithm.blogspot.pt

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  9. Amiga chegou a hora de você ser feliz e cheia de sucesso, tenha uma semana abençoada, obrigado pela visita.
    Blog: https://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/
    Canal:https://www.youtube.com/watch?v=DmO8csZDARM

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  10. Sempre gostei da tua escrita e sempre te disse isso. Além disso és uma (boa miúda)tens futuro Andreia, continua assim e aproveita tudo o que a vida tem para te dar, o Basquetebol não devias ter deixado :( mas cometemos sempre erros e que todos os que venhas a cometer sejam só esses. É com eles que se aprende, mas quantos menos melhor :)
    Que sejas sempre assim, extrovertida, simpática e linda <3
    Muito beijinhos Andreia e boa sorte para ti.

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  11. Eu já te conheço há muito. Basta ler,-te todos os dias
    Kis ,:=}

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