23:59. Em dois mil e treze quase a saltar para dois mil e catorze


Dois mil e treze. Mais um ano que se encontra a poucas horas de acabar. Quando me sento no parapeito da janela, com uma chávena de chá de menta, e me recordo do que passei no decorrer destes doze meses arrisco-me a dizer que levo mais coisas boas no coração do que más. A culpa também pode ser minha, porque desde cedo me habituei a guardar só o que é bom de guardar; e também porque aprendi que as coisas menos boas (ou realmente más) fazem parte de um processo de crescimento. São lições de vida, que eventualmente acabamos por ver como tal. A idade vai-nos dando sabedoria, não porque lhe esteja inerente, mas porque passamos a olhar para as coisas com mais responsabilidade. 

Dois mil e treze foi o ano dos meus vinte e um. E ainda que tenha um longo caminho de aprendizagem, acho que vieram camuflados de novos saberes, de uma nova calma e de uma nova noção de vida. Acrescentaram mais um pouco de peso na palavra «adulta» e obrigaram-me ainda mais a comportar-me como tal. Ainda estou longe, muito longe, de ser um pequenino exemplo de uma grande mulher, mas começo a sentir que vou dando pequenos passos para conquistar o meu espaço. Mesmo que caia muitas vezes. 

Em dois mil e treze ri. Ri muito. Mas também chorei. Muitas vezes. Por vezes à noite, sozinha, quando ninguém conseguia ouvir o som das minhas lágrimas. Mas também guardei umas quantas, porque me recusei a chorar, porque tinha que ser forte o suficiente para engolir a dor e virar o jogo a meu proveito. E quando finalmente compreendi que a única pessoa que me pode impedir de avançar sou eu mesma peguei na caneta, virei a página e comecei tudo de novo. Também abracei muito. Sobretudo os meus. Dei beijos na testa, nas bochechas, na cabeça, só me faltou na boca – mas quanto a isso talvez dois mil e catorze me traga uma surpresa. Fiz asneiras, disse disparates, gargalhei num som estridente e vivi. Muito. Ainda que tenha ficado alguma coisa por fazer, acho que aproveitei aquilo a que me propus. 

Este também foi um ano onde senti amizades a evaporarem-se do meu coração de mansinho, para eu não sentir a falta delas. E nesse instante senti o meu mundo desabar pela perda, pela realidade dolorosa, pelo vazio que se foi instalando. «Na vida tanto se ganha como se perde», ouvi algumas vezes. E a verdade é que senti a pancada forte da perda: entrou de rompante, sem meias medidas. Só que também senti o doce sabor da vitória quando todos os dias vi a vida a preservar do meu lado as melhores amizades que construí ao longo do tempo, solidificando as mais recentes. Nada na vida acontece por acaso, sempre acreditei nisso, e acho que este ano tive a prova disso mesmo. Citando Daniel Oliveira, «quando alguém diz que quer ir, já foi». Alguns não disseram sequer, foram logo. Mas eu aprendi a colmatar a ausência, porque também sempre ouvi dizer que «só faz falta quem cá está». E ainda que não concorde com isso a cem porcento há alturas em que temos que colocar a nossa armadura mais pesada, apenas para não nos magoarmos mais. Continuarei aqui, de braços abertos, porque nunca soube guardar rancor nem virar as costas, mas entre esperar e ver o tempo passar por mim preferi continuar a minha viagem. Em frente. Inevitavelmente, em frente. E quem quiser é sempre bem-vindo a bordo. 

Dois mil e treze também foi um ano de festivais de tunas e de um cortejo como fitada. Foi um ano onde tive que superar os meus medos, os meus nervos e a minha ansiedade na faculdade, pelo estágio anual onde a matemática seria a minha prova de fogo no segundo ciclo. Mas também ficou marcado pela frustração de ter que ficar um quarto ano com três cadeiras de matemática em atraso. Tira as forças e a motivação saber-nos superar as dificuldades no estágio, mas depois não conseguir o mesmo nos exames. Custa não entrar em mestrado e saber que alguns avançam e nós ficamos para trás. Só que isso também se supera e eventualmente torna-se em motivação acrescida. 

A nível de futebol sofri muito. Senti o meu coração num ritmo bastante acelerado. Não controlei os nervos, mas acreditei sempre até ao fim. Sofri pelo Futebol Clube do Porto, porque o amor é maior a cada dia. E em Maio, depois de muita luta, lá estivemos todos no Dragão a festejar o Tri Campeonato. Eu estive lá. Gritei, festejei, cantei, fiz rodopiar o meu cachecol ao sabor do vento, saltei, vi os Heróis de Azul e fui feliz, como só o Porto me faz ficar. E também de Azul vibrei com as vitórias nas nossas modalidades, que não são menos importantes. Também sofri pela Seleção e pela possível não qualificação para o Mundial. E festejei ainda mais quando carimbamos a nosso viagem ao Brasil. Os Sub-21 deram-me igualmente alegrias, por começarem a traçar um caminho de gigantes com uma qualidade impressionante. Dois mil e treze também foi o ano da inauguração do nosso museu: Museu Futebol Clube do Porto by BMG, que espero visitar brevemente. E é também o ano de regressos. Do meu regresso mais aguardado: Ricardo Quaresma, que espero encontrar no primeiro treino do ano.  
Passei umas férias espetaculares. Passeei sem me fartar. Descobri novos cantos e novos recantos. Tirei imensas fotografias. Li tudo o que consegui. Vi séries até mais não. Vi filmes. Deixei-me levar pela preguiça. Criei dois novos blogues, que são dois projetos que me enchem o coração. Estipulei objetivos. Estruturei novas ideias e novidades. Escrevi. E quero escrever ainda mais. Inscrevi-me no voluntariado (G.A.S Porto) por insistência de uma amiga, mas, principalmente, para crescer, para olhar para a vida com uma nova cor e para preencher os dias com algo útil. Vi o meu afilhado entrar para a escola primária e pensei que o tempo passa demasiado rápido. Joguei bowling pela primeira vez. Senti saudades de pessoas que já partiram. Vi partir pessoas que não conhecendo admirava pelo talento e pelo trabalho desenvolvido. 

Em dois mil e treze sorri. Ri. Vivi. Aprendi. Cresci. E só quero que dois mil e catorze, se não poder ser melhor, que seja assim, porque, apesar de todas as quedas, dois mil e treze até foi um ano do caraças. E nenhuma palavra é suficiente para descrever todos os momentos bons e intemporais que passei durante estes meses. Voltemos ao principio, mas sempre com amor, com vontade de voar, de alargar horizontes, mantendo os pés a uma distância confortável do chão, para evitarmos querer mais do que aquilo a que temos direito. E aquilo que desejo para mim desejo para os meus. Mas numa porção infinitamente maior. E para vocês que me acompanham todos os dias (ou quase todos) também, porque este espaço não era o mesmo sem a vossa presença e sem os vossos comentários. 

Estão a ver aquelas palavras que formam a imagem? Amor. Sonho. Abraço. Festa. Porto. Paz. Magia. Família. É o que eu desejo para este ano. E se for possível acrescentar umas quantas, como felicidade, realização, superação, acreditar, lutar, não desistir, sorrir, ainda melhor. Troquem só «Porto» pela vossa cidade (se não a for) ou pelo vosso clube (dependendo da perspetiva), porque embora eu viva do outro lado da ponte sempre senti o Porto como um bocadinho meu. Não só o clube, a cidade também. E sejam felizes. Muito! 

Quando soarem as doze badaladas, ainda que seja um típico cliché, entrem com o pé direito. Não! Entre com os dois. Arrisquem. E que dois mil e catorze vos traga tudo o que mais desejam. Sem filtros. Como tem que ser. Mas cheio. E que faça transbordar a caixa das memórias e o coração. Feliz Ano Novo! 


«A vida ensina-nos a olhar para a frente e, já agora, de frente para a vida, deixando de lado o que não conseguimos deixar para trás. E quem quiser que nos siga».

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17 comentários

  1. Bem, que 2014 te traga coisas boas minha querida!
    R: concordo com o que dissestes. As pessoas falam mais e agem muito menos, mas pronto...
    bjs

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  2. Que texto lindo :)
    Que 2014 seja um ano para lá de awesome para ti querida!
    R: Pois, eu também tenho caracóis, quando o cabelo encaracolar de novo até tenho medo (agora tenho-o esticado) xD

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  3. Bons e maus momentos, fazem parte. Temos é que superar e erguer a cabeça. Que 2014 seja um ano com imensa coisa boa para ti, boas entradas querida ♥

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  4. Oh pá... pois é! 2014 (não, vou antes fazer como tu: dois mil e catorze) Um ano assim deve ser escrito por extenso! Como o tempo voa... ainda há "pouco" tempo andava eu nos anos 90 e agora... estamos a ficar velhas! :p
    Espero sinceramente que tenhas um ano muito cheio de feitos e concretizações! Foste sempre uma seguidora e leitora fiel ao meu blog e tenho muito a agradecer-te por isso.
    Um beijinho muito gorducho <3

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  5. Que 2014 te traga felicidade e aprendizagem. Que seja um bom ano!! Entra com o pé direito.
    Beijinhos *

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  6. bem a condução não deve ser assim (a)
    acho q vou ser um fiasco :p

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  7. Que 2014 traga tudo o que mais desejas. Beijinho

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  8. Minha queridaa :)
    Desejo-te um excelente 2014 *.*

    Quanto às fotografias: adorei! a Patrícia mostrou-me fotografias disso no Porto :b

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